O Painel Qualidade de Vida no Trabalho é uma iniciativa do MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) que apresenta dados cruciais sobre a saúde mental e as condições de trabalho dos profissionais das forças de segurança pública no Brasil. Em uma pesquisa recente, foi revelado que 25 estados do Brasil não oferecem avaliação psicológica periódica aos policiais civis. Essa ausência de apoio médico é preocupante e pode ter impactos diretos na eficácia e no bem-estar desse grupo essencial.
A pesquisa coletou dados de 135 instituições distribuídas em 26 estados e no Distrito Federal, com foco no ano-base de 2024. Os resultados mostraram que, das 27 Unidades Federativas, apenas o Distrito Federal e a Bahia não responderam à questão sobre a avaliação psicológica, enquanto os outros 25 afirmaram não disponibilizar tal serviço.
Apesar da ausência de avaliações periódicas, 22 estados relataram disponibilizar serviços de assistência à saúde mental para os policiais civis. Contudo, o apoio encontrado varia significativamente entre os estados. Enquanto 13 estados oferecem exclusivamente serviços de psicologia, nove combinam isso com serviços psiquiátricos. Por outro lado, três estados — Rio Grande do Norte, Rondônia e Alagoas — afirmaram que não oferecem nenhum tipo de assistência à saúde mental aos seus policiais.
Impacto da Saúde Mental nas Forças de Segurança
Os dados também revelam que mais de 70 mil servidores, incluindo policiais e bombeiros, foram afastados de suas funções operacionais devido a diagnósticos relacionados a transtornos mentais e de comportamento, conforme a categoria F da CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) da OMS (Organização Mundial da Saúde). Esses números são alarmantes e destacam a necessidade urgente de um acompanhamento adequado e preventivo.
O acompanhamento preventivo, na maioria das instituições, é praticamente inexistente, com intervenções ocorrendo apenas após crises e esgotamentos. Isso gera um ciclo vicioso onde a saúde mental é tratada apenas quando se torna um problema crítico, ao invés de ser monitorada continuamente.
Resposta das Unidades Federativas
As respostas das unidades da federação mostram uma série de iniciativas e programas variados. Por exemplo, o Maranhão enfatiza o programa “Saúde na Segurança”, que visa a saúde integral dos profissionais com acesso a consultas médicas e psicológicas. Essa ação é um exemplo positivo de como algumas unidades estão começando a abordar suas deficiências na assistência à saúde mental.
Por outro lado, o Ceará disponibiliza a Co-Saúde, um órgão responsável por diversos serviços voltados para a promoção do bem-estar dos agentes. A equipe multidisciplinar se destaca na oferta de suporte psicológico e psiquiátrico, visando garantir que os policiais civis tenham uma boa qualidade de vida e, consequentemente, um desempenho mais eficaz em suas funções.
Pernambuco, por sua vez, informou que implementou a Avaliação Psicológica desde 2025, demonstrando um compromisso contínuo com o bem-estar de seus policiais. A iniciativa garante que os profissionais recebam o acompanhamento psicológico necessário em tempo hábil.
Em contrapartida, estados como Roraima e Santa Catarina também mostram avanços com programas específicos para saúde mental, oferecendo suporte e acompanhamento a alertar sobre a necessidade de intervenções em saúde mental. No entanto, muitos ainda carecem de respostas rápidas e efetivas, consolidando um retrato preocupante da situação da saúde mental entre os profissionais de segurança pública no Brasil.
A Necessidade de Avaliações Psicológicas Periódicas
A ausência de avaliações psicológicas periódicas leva a uma abordagem reativa em que o apoio psicológico só é fornecido após problemas sérios surgir. As condições de trabalho muitas vezes resultam em estresse constante, o que, sem monitoramento, pode culminar em problemas graves para os profissionais.
As avaliações periódicas poderiam não apenas ajudar a identificar problemas de saúde mental precocemente, mas também permitir que instituições ajustem apoio conforme necessário, reduzindo os níveis de estresse, ansiedade e burnout. Isso é fundamental para manter a eficácia e a saúde de quem atua na linha de frente da segurança pública.
Enquanto o quadro geral das forças de segurança pública no Brasil em relação à saúde mental é alarmante, iniciativas positivas estão surgindo em várias partes do país. No entanto, é vital que haja um esforço coletivo para estabelecer diretrizes que promovam a saúde mental e para garantirem avaliação periódica como norma, ao invés de exceção. Somente assim será possível proporcionar um ambiente de trabalho seguro e saudável para aqueles que dedicam suas vidas à proteção da sociedade.

