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UE deve liberar exportação de frango e mel do Brasil já!

UE deve liberar exportação de frango e mel do Brasil já!

A União Europeia sinaliza a possibilidade de que as exportações brasileiras de frango e mel podem ser retomadas nas próximas semanas. Isso ocorre após uma auditoria que avaliou positivamente os controles adotados pelo Brasil em relação à segurança alimentar. No entanto, as exportações de carne bovina enfrentarão um processo mais moroso, podendo levar cerca de dois anos para serem liberadas, devido às rigorosas exigências europeias relacionadas à rastreabilidade e controle de antimicrobianos.

A afirmação foi feita por Jean-Pierre, chefe adjunto da missão da União Europeia no Brasil, durante o GAFFFF, em São Paulo. Ele destacou que o recente acordo de cooperação entre a União Europeia e o Brasil representa uma nova fase nas relações comerciais, mas que ainda existem diversos desafios sanitários por resolver. “Depois de 25 anos de luta, firmamos um acordo de cooperação bilateral, com um grande horizonte para o agro brasileiro”, afirmou Jean-Pierre.

O acordo entre Mercosul e União Europeia foi assinado em janeiro de 2026 e passou a ter aplicação provisória a partir de maio do mesmo ano. Ao juntar aproximadamente 700 milhões de pessoas em uma área comercial, o tratado apresenta a União Europeia como um dos principais mercados para produtos agropecuários brasileiros, com exportações agrícolas que somaram US$ 21,8 bilhões em 2025, de acordo com o Ministério da Agricultura.

No entanto, a questão sanitária surgiu logo no início dessa nova fase. Desde setembro, a UE havia suspenso as importações de produtos de origem animal do Brasil em meio a debates sobre o cumprimento das normas europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos. As restrições afetaram diversas categorias, incluindo carnes bovina, de frango, suína e mel.

Contudo, a auditoria realizada pela Comissão Europeia no Brasil trouxe novas esperanças. Ela avaliou os sistemas de produção de carne de aves e mel, concluindo que as estruturas legais, procedimentos e controles brasileiros são capazes de oferecer as garantias exigidas pela legislação da UE. Jean-Pierre indicou que a expectativa é de uma decisão europeia nas próximas semanas sobre a liberação desses produtos. “A decisão sobre frango e mel será tomada nas próximas semanas”, afirmou ele.

Desafios da Carne Bovina

O quadro para a carne bovina é mais desafiador. Jean-Pierre explicou que a exigência da UE exige um acompanhamento rigoroso dos animais ao longo de quase todo o ciclo de produção. “A carne bovina depende do ciclo de vida dos animais, que leva cerca de dois anos. Mas o diálogo continua, e temos trabalho constante”, comentou.

This aligns with statements made by European sanitary authorities in recent days. The EU estimates that the resumption of Brazilian beef imports is not likely to occur before two years due to the need to prove compliance with rules related to antimicrobials and traceability throughout the livestock’s life cycle.

Jean-Pierre destacou que essa situação não deve ser vista como um rompimento das relações comerciais. “Entendo a frustração dos brasileiros, mas é importante ressaltar que o acordo abre oportunidades para muitos setores do agro”, afirmou ele.

Crescimento nas Exportações e Oportunidades

Ele também enfatizou que alguns produtos brasileiros já estão vendo um aumento nas vendas para o mercado europeu após o início da aplicação do acordo, como uvas e café. O café, em particular, já é um dos principais produtos brasileiros na Europa, embora haja espaço para uma maior participação brasileira.

Os dados oficiais sugerem um crescimento na relação agrícola entre Brasil e União Europeia, com as exportações agrícolas de produtos brasileiros aumentando de US$ 12,4 bilhões em 2016 para US$ 21,8 bilhões em 2025.

Além das grandes commodities, Jean-Pierre ressaltou a importância da proteção das Indicações Geográficas (IGs), um ponto do acordo que pode beneficiar os produtores brasileiros. O tratado prevê o reconhecimento e proteção de indicações geográficas de ambas as partes. Um total de 37 indicações geográficas brasileiras agora terá proteção na União Europeia, como a cachaça, queijo Canastra e vinhos e espumantes do Vale dos Vinhedos.

Jean-Pierre afirmou que esse mecanismo pode contribuir para aumentar o valor agregado da produção e criar oportunidades para produtos regionais brasileiros que ainda são relativamente desconhecidos pelos consumidores europeus. “Temos produtos do Cerrado e da Amazônia que não são conhecidos na Europa e têm um grande potencial”, destacou.

O Papel da Bioeconomia

Outra área de destaque levantada pelo representante europeu foi a bioeconomia. O foco é identificar produtos com potencial de exportação entre os dois mercados e desenvolver programas de cooperação no Brasil para fortalecer os produtores que atuam na bioeconomia e nas culturas alternativas.

Essa discussão também está interligada à agenda de sustentabilidade do acordo, que prevê compromissos em desenvolvimento sustentável e mecanismos de integração de cadeias produtivas, além de descarbonização. Jean-Pierre enfatizou que a cooperação não deve se restringir à abertura de mercados, mas também deve incluir tecnologia, produção e a adaptação dos sistemas agrícolas.

Segurança Alimentar em um Contexto Global

Jean-Pierre também situou a relação comercial entre Brasil e a UE dentro de um contexto mais amplo: o da segurança alimentar em um mundo afetado por mudanças climáticas e instabilidade geopolítica. Ele destacou que novas pandemias, guerras e crises logísticas podem impactar a oferta alimentar em todo o mundo. Nesse cenário, o comércio internacional é visto como parte integrante da estratégia de segurança alimentar europeia, e não como um obstáculo à produção local. “O comércio é um fator de segurança alimentar para a Europa. Não é antagonista”, finalizou.