Política

Alesp arquiva denúncia contra Lucas Bove por violência doméstica; ex-esposa critica decisão

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) decidiu nesta terça-feira (26) arquivar, por 6 votos a 1, a denúncia contra o deputado estadual Lucas Bove (PL), acusado de agredir a ex-esposa, a influenciadora Cíntia Chagas, que tem mais de seis milhões de seguidores nas redes sociais.

A denúncia havia sido protocolada pela deputada Mônica Seixas (PSOL), que pedia a cassação de Bove por quebra de decoro parlamentar. Apenas a deputada Ediane Maria (PSOL) votou a favor da continuidade da representação.

Cíntia, que denunciou episódios de violência psicológica e física durante o relacionamento de mais de dois anos, lamentou o arquivamento.

“Trata-se de um desserviço da Alesp, preocupada apenas com o corporativismo. Ele sempre dizia que, por ser branco, com cara de rico e deputado, nada aconteceria. E, de fato, nada aconteceu”, disse a influenciadora.

Acusações

Nos depoimentos, Cíntia relatou ter sofrido ameaças, humilhações, controle excessivo e agressões físicas. Entre os episódios narrados, estão apertões que deixavam lesões, arremesso de faca, expulsão agressiva de uma festa e imposição de contato forçado com o ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso é investigado pela 3ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), sob sigilo judicial, e que foram concedidas medidas protetivas a Cíntia, incluindo proibição de aproximação ou contato do deputado com ela.

A advogada Gabriela Manssur, que representa a influenciadora, classificou a denúncia como “ato de coragem” e criticou o vazamento de informações protegidas por sigilo.

Defesa

Lucas Bove nega as acusações e afirma que provará inocência. Em vídeo publicado nas redes sociais, disse estar “de mãos atadas” por não poder se pronunciar devido ao segredo de justiça, mas garantiu que “a verdade será restabelecida”.

Sua defesa afirma que os fatos divulgados têm caráter “sensacionalista e ofensivo” e que o deputado tomará medidas judiciais contra detratores.