Pequim realizou nesta quarta-feira (3) o maior desfile militar de sua história recente, em plena Praça da Paz Celestial. O evento, batizado de “Dia da Vitória”, contou com a presença dos presidentes Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia) e Kim Jong-un (Coreia do Norte), além de representantes de mais de 20 países.
A parada exibiu novas armas de última geração, incluindo mísseis balísticos intercontinentais reformulados (DF-5C), com alcance estimado de 20 mil km, e um novo modelo móvel de longo alcance, o DF-61. Também foram mostrados mísseis hipersônicos, drones navais, tanques modernizados e sistemas de defesa aérea.

Um recado estratégico
Analistas apontam que a demonstração de força foi planejada para enviar mensagens claras ao Ocidente, em especial aos Estados Unidos e União Europeia. Para Pequim, trata-se de uma forma de reforçar sua condição de potência militar global ao lado de Moscou e de mostrar que está pronta para disputar influência geopolítica em várias frentes.
Durante o discurso, Xi Jinping destacou que a humanidade vive um momento decisivo:
“Estamos diante da escolha entre paz ou guerra, diálogo ou confronto, ganhos mútuos ou soma zero. O povo chinês permanece do lado certo da história”, declarou.
O presidente chinês também utilizou símbolos históricos ao vestir um terno no estilo usado por Mao Tsé-tung, gesto interpretado como tentativa de resgatar o espírito de unidade nacional.

Alianças em evidência
A presença conjunta de Putin e Kim Jong-un reforçou o alinhamento entre os três países. Putin, ao ser questionado sobre críticas do presidente norte-americano Donald Trump, ironizou:
“Ele tem senso de humor”, disse, após Trump ter falado em “conspiração” contra os EUA.
Na União Europeia, a chefe da diplomacia, Kaja Kallas, classificou o encontro como um “desafio direto à ordem internacional” e acusou a China de apoiar indiretamente a guerra russa na Ucrânia.

A tríade nuclear
Pela primeira vez, a China exibiu de forma completa sua tríade nuclear:
-
Terrestre: mísseis balísticos intercontinentais de longo alcance.
-
Marítima: submarinos lançadores de mísseis.
-
Aérea: bombardeiros estratégicos capazes de transportar armas nucleares.
Esse arsenal coloca o país em igualdade estratégica com Estados Unidos e Rússia, consolidando-o como potência nuclear plena.

Impactos regionais e globais
Além de mirar Washington e Bruxelas, Pequim também quis enviar um aviso aos vizinhos Índia e Paquistão, reforçando sua capacidade de defesa em disputas territoriais.
Segundo o especialista James Char, da Escola de Estudos Internacionais de Singapura, a combinação de drones navais e mísseis cria zonas de exclusão que podem dificultar a entrada de marinhas estrangeiras em áreas do Mar do Sul da China, um dos pontos mais tensos do planeta.
Reações brasileiras
O Brasil também esteve representado. O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, e a ex-presidente Dilma Rousseff, atual diretora do Banco do Brics, participaram da cerimônia.
Um espetáculo de poder
O desfile reuniu mais de 50 mil espectadores. Tropas marcharam em uníssono, aviões de combate sobrevoaram o céu de Pequim e veículos blindados cruzaram a avenida central da capital chinesa. O evento terminou com um sobrevoo em formação de caças de última geração, reforçando a imagem de modernização das Forças Armadas chinesas.
Com essa demonstração, a China deixa claro que pretende disputar protagonismo militar e político em escala global, ampliando a pressão sobre a já frágil ordem internacional.
