Polícia

Ex-comandante da GCM de SP acusado de violência doméstica é nomeado em cargo, mas prefeitura revoga decisão no dia seguinte

A Prefeitura de São Paulo voltou atrás em menos de 24 horas na nomeação do ex-comandante da Guarda Civil Metropolitana (GCM), Eliazer Rodella, acusado de violência doméstica. Fora da corporação desde maio, ele havia sido designado em 4 de setembro para atuar na Superintendência de Ações Ambientais Especializadas, mas a decisão foi revogada no dia seguinte (5), a pedido do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A movimentação foi publicada no Diário Oficial nesta segunda-feira (8).

Os despachos referentes à nomeação e à revogação foram assinados por Orlando Morando Junior, secretário da Segurança Urbana. Em nota, a prefeitura justificou a decisão afirmando que Rodella responde a um processo administrativo disciplinar em andamento na Corregedoria, o que inviabiliza sua permanência em funções de confiança dentro da estrutura municipal.

Eliazer Rodella atuava na administração pública desde 2016, quando assumiu o cargo de professor e coordenador da Academia de Formação em Segurança Urbana (AFSU). Em janeiro de 2023, ele foi nomeado comandante da GCM, mas acabou afastado em abril, após denúncias de violência doméstica feitas por sua ex-mulher, Samara Rocha Bragantini. Desde então, o subcomandante Ailton Rodrigues de Oliveira responde interinamente pelo posto.

Samara relatou em entrevistas e depoimentos ter sido agredida ao menos três vezes, incluindo um episódio quando estava grávida de oito meses. Segundo ela, as agressões ocorreram dentro de casa, na presença das filhas, que chegaram a testemunhar a violência. A ex-companheira afirmou que vizinhas chegaram a chamar a polícia em uma das ocasiões, mas que, por medo e falta de apoio, não registrou boletim de ocorrência.

Rodella nega as acusações, mas ainda não apresentou defesa pública sobre os novos desdobramentos. A prefeitura, por sua vez, reforçou que a nomeação foi tornada sem efeito até a conclusão do processo administrativo em curso.