O trânsito de São Paulo voltou a registrar crescimento nas mortes de motociclistas no mês de julho, revertendo a tendência de queda observada ao longo de 2025. Dados do Infosiga, sistema do Governo de São Paulo, apontam que foram 47 óbitos de motociclistas em julho deste ano, contra 42 no mesmo mês de 2024 – um aumento de 12%.
A reportagem do g1 acompanhou durante agosto o comportamento de motociclistas em diferentes vias da capital e registrou diversas infrações de trânsito. As imagens mostram condutores furando sinais vermelhos, empinando motos, transitando na contramão, em zigue-zague entre os carros, circulando em faixas zebradas e até em ciclofaixas. Os flagrantes ocorreram em pontos de grande movimento, como a Avenida Inajar de Souza, Avenida Peri Ronchetti com Avenida Santa Inês, além da Marginal Pinheiros e da Marginal Tietê.
O aumento das mortes preocupa as autoridades, especialmente porque julho historicamente apresenta números elevados. Desde 2020, no período pós-pandemia, as estatísticas cresceram ano a ano no mesmo mês: foram 20 mortes em 2020, 30 em 2021, 36 em 2022, 42 em 2023, 42 em 2024 e agora 47 em 2025.
No acumulado entre janeiro e julho, houve queda de 5,4% nos óbitos de motociclistas, passando de 279 no ano passado para 264 neste ano. Apesar disso, especialistas alertam que o cenário pode piorar caso a imprudência se mantenha.
No último domingo (7), mais uma tragédia reforçou os números: um motociclista de 26 anos morreu na Avenida Deputado Cantídio Sampaio, na Zona Norte, após invadir a contramão e colidir contra um carro de aplicativo.
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Mobilidade e Trânsito (SEMTRA) e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), afirmou em nota que a fiscalização eletrônica é uma das principais ferramentas para conter infrações, destacando o papel dos radares em identificar excesso de velocidade e circulação em áreas restritas.
Entre as medidas de prevenção implementadas pela gestão de Ricardo Nunes (MDB) está o projeto Faixa Azul, que reduziu em 47,2% o número de óbitos em trechos sinalizados. Atualmente, já são mais de 232,7 km de vias com essa marcação. Também foram criados quase 1.100 “Frentes Seguras” – áreas exclusivas de espera para motos nos semáforos – além de ações educativas como o “Pit Stop Educativo”, promovido em campanhas como o Maio Amarelo.
Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), as infrações flagradas variam de médias a gravíssimas, com multas que vão de R$ 130,16 a R$ 880,41, podendo gerar suspensão da CNH. Entre elas:
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Empinar moto ou fazer malabarismo: multa de R$ 293,47 + suspensão da CNH;
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Cruzar farol vermelho: R$ 293,47;
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Andar na contramão: até R$ 293,47;
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Transitar em ciclofaixa ou faixa zebrada: R$ 880,41;
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Dirigir em zigue-zague: R$ 293,47;
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Circular com faróis apagados: R$ 130,16.
As autoridades reforçam que a imprudência dos motociclistas continua sendo uma das principais causas de mortes no trânsito da capital paulista.