O Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma investigação para apurar se aplicativos de relacionamento voltados ao público LGBTQIAPN+, como Grindr e Hornet, têm adotado medidas eficazes para proteger seus usuários. O procedimento surge após uma onda de crimes em diferentes cidades brasileiras, incluindo roubos, extorsões e até homicídios envolvendo encontros marcados por meio dessas plataformas.
Em 2024, o g1 revelou que jovens gays foram vítimas de emboscadas na região do Sacomã, na Zona Sul de São Paulo. O que começou como encontros amorosos terminou em assaltos violentos, deixando a comunidade local em alerta e aumentando a preocupação com a segurança nas plataformas digitais.
O procurador da República Lucas Costa Almeida Dias, responsável pelo procedimento, destacou que crimes cometidos por meio de apps de relacionamento já são tratados como questão de segurança pública. Contudo, quando atingem usuários LGBTQIA+, a vulnerabilidade das vítimas se intensifica, principalmente devido ao preconceito e à hostilidade motivados por orientação sexual ou identidade de gênero.
Dias apontou dois fatores que facilitam esses crimes: o receio das vítimas em denunciar e a possível falta de cautela no compartilhamento de dados pessoais. Segundo ele, as plataformas digitais ainda demonstram ineficiência na implementação de medidas de segurança robustas. Até a última atualização da reportagem, Hornet e Grindr não se manifestaram.
A investigação também leva em conta um recente julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que estabeleceu o “dever de cuidado” das plataformas digitais, exigindo que removam conteúdos que incitem discriminação por raça, sexualidade ou identidade de gênero. No Brasil, Grindr e Hornet possuem termos de serviço especiais, com compromissos de melhorar mecanismos de segurança, mas o MPF busca verificar se essas medidas são realmente efetivas.
Ofícios foram enviados à Secretaria Nacional de Direitos LGBTQIA+, ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, além das próprias empresas, para que prestem informações e esclareçam como garantem a proteção de seus usuários diante do aumento da violência.