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Ex-delegado de SP é executado em Praia Grande; polícia ouve familiares de suspeitos e investiga crime

A Polícia Civil de São Paulo ouviu nesta quarta-feira (17) a mãe e o irmão de um dos suspeitos do assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, executado em uma emboscada na segunda-feira (15) na Praia Grande, litoral paulista.

Os depoimentos foram prestados no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), na capital paulista. Além disso, oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços na capital e na Grande São Paulo, conforme informou a Secretaria da Segurança Pública.

A polícia já identificou dois suspeitos e solicitou à Justiça a prisão deles. Durante a ação criminosa, os suspeitos não conseguiram incendiar um dos veículos usados no crime, um Jeep Renegade, que passou por perícia para coleta de materiais que possam ajudar na identificação dos envolvidos. A SSP afirmou que as forças de segurança seguem mobilizadas para prender todos os responsáveis.

O caso reacendeu o debate sobre a segurança de autoridades que atuaram no combate ao crime organizado. No momento da execução, Ruy estava sozinho, sem carro blindado e sem escolta. Duas semanas antes do crime, ele havia concedido uma entrevista ainda não publicada em que relatava viver sem proteção, apesar do histórico de ameaças do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que ele ajudou a investigar desde os anos 2000.

“Meu nome é Ruy Ferraz Fontes. Desde 2002, fui encarregado de fazer investigações relacionadas ao PCC. Eu não tenho… eu tenho proteção de quê? Eu moro sozinho aqui, eu vivo sozinho na Praia Grande… Hoje, não tenho estrutura nenhuma”, disse em trecho da entrevista.

Segundo a Polícia Civil, delegados-gerais e adjuntos têm corpo de segurança durante o mandato, mas a proteção não é automática após a saída do cargo. Ex-delegados podem solicitar escolta, mas é necessário que o pedido seja feito pelo próprio interessado. Ruy não fez essa solicitação.

O assassinato também chamou atenção por ter ocorrido após quase duas décadas de ameaças do PCC. Relatórios do Ministério Público mostram que, desde 2002, quando chefes da facção foram transferidos para presídios de segurança máxima, líderes do crime passaram a ameaçar investigadores, promotores e juízes envolvidos nas ações, incluindo Ruy.

Ele foi um dos responsáveis por concentrar os líderes do PCC na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, medida considerada uma afronta pela facção. Apesar do risco, Ruy não tinha proteção oficial após a aposentadoria, gerando críticas ao modelo atual, que depende de solicitação individual, diferente de outras autoridades como ex-presidentes da República ou ministros do STF.

O governador Tarcísio de Freitas afirmou que autoridades que investigam o crime organizado devem ter proteção automática ao deixar o cargo, e o governo avalia mudanças na legislação para garantir segurança contínua a profissionais com notória atuação nessa área.