O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (25) a imposição de novas tarifas sobre a importação de produtos farmacêuticos, caminhões pesados, móveis e itens de cozinha e banheiro, que entrarão em vigor em 1º de outubro. As taxas variam entre 25% e 100%, com o objetivo declarado de proteger a indústria local diante do que ele chamou de “inundação” de produtos estrangeiros no país, citando também razões de segurança nacional.
A tarifa mais severa, de 100%, será aplicada a medicamentos de marca ou patenteados, com exceção de empresas que já iniciaram a construção de fábricas nos Estados Unidos. Para caminhões pesados, a taxa será de 25%, enquanto móveis e estofados pagarão 30% e armários de cozinha e gabinetes de banheiro terão 50% de tributação. Trump justificou as medidas afirmando que elas protegerão fabricantes americanos, incluindo nomes como Peterbilt, Kenworth e Freightliner, e que são necessárias para manter a saúde financeira do setor, crucial para a segurança nacional.
Grandes farmacêuticas globais reagiram com cautela. A Novartis, por exemplo, declarou que suas operações não serão afetadas, pois já investiu US$ 23 bilhões em infraestrutura nos EUA. A União Europeia, que mantém acordos comerciais com os Estados Unidos, continuará sob o limite tarifário de 15% para produtos europeus, enquanto o Reino Unido já iniciou negociações para proteger suas empresas, como AstraZeneca e GlaxoSmithKline, que possuem fábricas no país.
O anúncio teve impacto imediato nos mercados internacionais. As ações de empresas farmacêuticas asiáticas, fortemente dependentes das exportações para os EUA, registraram quedas significativas, enquanto a reação na Europa foi mais moderada devido à presença industrial local. O índice Topix Pharma, em Tóquio, caiu 1,47%, com empresas como Daiichi Sankyo e Sumitomo Pharma sofrendo perdas superiores a 3%. Na Coreia do Sul e Hong Kong, companhias como Samsung Biologics e Alibaba Health também registraram quedas.
A política tarifária de Trump se baseia na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial, permitindo impor taxas sem aprovação do Congresso quando as importações são consideradas uma ameaça à segurança nacional. Essa legislação já foi usada anteriormente para aplicar tarifas sobre aço, alumínio e automóveis. No início de novembro, a Suprema Corte dos EUA analisará a legalidade dessas medidas, após contestações judiciais sobre a extensão da autoridade presidencial.
Especialistas indicam que novos aumentos tarifários podem atingir semicondutores, minerais essenciais, robótica e dispositivos médicos, ampliando o impacto econômico para importadores e consumidores americanos.