A Justiça de São Paulo determinou, em caráter de urgência, que as secretarias estadual e municipal da Saúde transfiram Lavínia Mendes Domingues, de 17 anos, internada em estado gravíssimo no Hospital do Grajaú, Zona Sul da capital, para uma unidade com estrutura adequada ao tratamento de mielite transversa aguda, doença neurológica rara e potencialmente incapacitante.
A decisão, assinada pela juíza Patrícia Persicano Pires, da 16ª Vara da Fazenda Pública, foi emitida na quarta-feira (8). Segundo a família, a liminar começou a ser cumprida apenas na madrugada desta sexta-feira (10), quando Lavínia foi finalmente transferida para o Hospital das Clínicas, que possui recursos especializados em neurologia e imunologia.

De acordo com os relatórios médicos anexados ao processo, Lavínia apresenta tetraplegia flácida — paralisia dos quatro membros —, ausência de reflexo de tosse e dificuldade para respirar, o que a levou a ser intubada novamente. A doença atinge a região da medula espinhal entre as vértebras C3 e T1, responsáveis pelos movimentos dos braços e do tronco.
A mãe da jovem, Bruna Mendes Severo Nascimento, relatou o desespero diante da gravidade do quadro e da demora na transferência:
“É desesperador ver minha filha desse jeito e não conseguir fazer nada. Ela está paralisada, vendo tudo o que acontece, e não há recursos adequados. Eu tento ser forte na frente dela, mas quando saio do quarto, desabo.”
O tratamento inicial com metilprednisolona, um potente corticoide, não apresentou resposta após cinco dias, caracterizando falha terapêutica precoce. A equipe médica recomendou, então, a realização de plasmaférese — procedimento que filtra substâncias nocivas do sangue — ou o uso de imunoglobulina intravenosa, tratamento imunológico de alto custo.
Como o Hospital do Grajaú não possuía equipamento para o plasmaférese, a equipe comprou por conta própria seis doses de imunoglobulina, utilizadas de forma emergencial enquanto a transferência não ocorria.
Na decisão, a magistrada determinou que o Estado providenciasse a remoção de Lavínia em até seis horas, sob pena de multa de R$ 10 mil por hora de atraso, limitada a R$ 200 mil. Caso não houvesse vaga na rede pública, a transferência deveria ser feita para um hospital privado, com custos pagos pelo Estado, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal.
Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, Lavínia recebeu autorização da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) para ocupar um leito de UTI no Hospital das Clínicas. Já a Secretaria Municipal da Saúde confirmou que a ficha de transferência foi finalizada na noite de quinta-feira (9).
🔍 O que é mielite transversa
A mielite transversa é uma inflamação da medula espinhal que pode causar paralisia dos membros, perda de sensibilidade, e problemas de respiração e controle dos órgãos. A doença tem evolução rápida e, em casos severos, pode levar à tetraplegia e falência respiratória. O tratamento imediato e especializado é essencial para evitar sequelas permanentes.