Uma cena de desrespeito e misoginia marcou a tarde de segunda-feira (6) no metrô do Rio de Janeiro, quando dois homens foram flagrados invadindo um vagão exclusivo para mulheres e reagindo de forma agressiva ao serem convidados a se retirar. O caso, registrado em vídeo e compartilhado nas redes sociais, viralizou rapidamente, somando mais de 5 milhões de visualizações no X (antigo Twitter).
Nas imagens, os dois homens aparecem discutindo com passageiras que os alertaram sobre a proibição. Em meio à confusão, um deles profere insultos como “mal comida e mal amada”, enquanto outro provoca as mulheres com gestos e gritos. A discussão aumenta até que agentes de segurança do MetrôRio intervêm e obrigam os homens a deixar o vagão.
Mesmo após a retirada, o comportamento hostil continuou. Na plataforma, um dos homens bateu na parede do trem, gritando contra as passageiras e contra uma agente de segurança. Em seguida, ele fez gestos obscenos de cunho sexual em direção ao vagão onde as mulheres permaneciam, em uma demonstração de provocação e violência simbólica.
Segundo o relato de uma das passageiras, que gravou o vídeo, os homens embarcaram na estação General Osório, na Zona Sul da cidade, e ignoraram os avisos sobre o caráter exclusivo do vagão. A gravação foi compartilhada com legendas denunciando o assédio e o desrespeito à legislação vigente.
O MetrôRio confirmou o episódio e afirmou que a equipe de segurança foi acionada na estação Cantagalo para conter os agressores. Em nota, a concessionária informou que “os agentes atuaram no caso e orientaram os homens, que inicialmente se recusaram a deixar o carro destinado exclusivamente às passageiras, conforme estabelece a Lei Estadual nº 4.733/2006”. Após nova abordagem, ambos foram retirados do trem.
A lei, criada em 2006 e regulamentada em 2017, garante a existência de vagões exclusivos para mulheres nos horários de pico — uma medida voltada a coibir o assédio e promover segurança no transporte público. Homens que desrespeitam a norma podem ser multados.
O vídeo reacendeu nas redes sociais o debate sobre assédio, machismo e violência de gênero nos espaços públicos, com internautas cobrando punições e mais fiscalização nas estações. Organizações feministas destacaram que, embora a lei seja antiga, a falta de respeito e de punição efetiva ainda expõe as passageiras ao constrangimento e à intimidação.
A concessionária informou que continuará colaborando com as autoridades e reforçou a importância de denunciar comportamentos abusivos por meio de seus canais de atendimento.