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Falhas em rede de água e esgoto em São Paulo atingem maior número desde 2020, revela levantamento

Um levantamento inédito obtido pela TV Globo junto à Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) mostra que o número de falhas na rede de água e esgoto da capital paulista atingiu em 2025 o maior patamar dos últimos cinco anos. O total de ocorrências registradas até julho deste ano já chega a 52, ultrapassando todo o volume observado em 2023 e se aproximando do recorde de 82 falhas contabilizadas em 2020.

As falhas incluem vazamentos, rompimentos de tubulação, problemas em bombas e apagões em estações de tratamento, que podem interromper o fornecimento de água para milhares de imóveis. Os dados, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), indicam uma tendência de aumento significativo em comparação com o ano passado, quando foram relatados apenas sete episódios em todo o período.

O histórico mostra oscilações no desempenho do sistema ao longo dos últimos anos:

  • 2020: 82 falhas

  • 2021: 43 falhas

  • 2022: 33 falhas

  • 2023: 20 falhas

  • 2024: 7 falhas

  • Julho de 2025: 52 falhas

A Zona Norte da cidade lidera o número de ocorrências, seguida pela Zona Sul e depois pela Zona Leste. Nessas regiões, são comuns os episódios de interrupção no abastecimento e extravasamentos de esgoto em vias públicas.

Em nota, a Sabesp reconheceu que parte dos problemas está ligada a fatores externos, como quedas de energia e atos de vandalismo, responsáveis por cerca de 30% das ocorrências. A companhia destacou, no entanto, que vem investindo na modernização da infraestrutura, incluindo a substituição de tubulações antigas, a aquisição de novos equipamentos e a ampliação do sistema de monitoramento em tempo real.

Especialistas afirmam que os números refletem a necessidade de um planejamento mais preventivo e tecnológico na gestão da rede. O engenheiro e professor de infraestrutura urbana do Mackenzie, Antonio Eduardo Giansante, explica que há falhas que fogem ao controle direto da empresa, mas muitas poderiam ser evitadas com um modelo de manutenção mais avançado.

“É essencial distinguir as falhas operacionais que dependem da Sabesp das que resultam de outros setores públicos, como a falta de energia elétrica. Mas também é urgente adotar uma manutenção não apenas corretiva, e sim preventiva e preditiva, acompanhando o desempenho dos equipamentos para evitar colapsos”, afirma Giansante.

O aumento das falhas reacende o debate sobre a sustentabilidade do sistema de saneamento básico em uma das maiores metrópoles do país. Com o crescimento urbano e o envelhecimento das redes subterrâneas, especialistas alertam que os investimentos em tecnologia e planejamento serão fundamentais para garantir o abastecimento regular e reduzir desperdícios nos próximos anos.