Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta e apontado como líder da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), foi transferido de Brasília para o presídio de segurança máxima Presidente Venceslau II, no interior de São Paulo, na quarta-feira (15), em um esquema de segurança reforçado. A transferência foi coordenada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais, com apoio da Polícia Penal Federal e da Polícia Rodoviária Federal.
Tuta havia sido preso em maio deste ano em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, onde estava foragido há cinco anos, usando documentos falsos. No Brasil, ele possui duas prisões decretadas e já foi condenado por organização criminosa, com pena de 12 anos e seis meses, além de responder a outro processo por lavagem de dinheiro e liderança de facção. Considerado substituto de Marcola, atual chefe do PCC preso no sistema federal, Tuta era responsável por comandar a organização criminosa fora dos presídios e manter a rede de tráfico de drogas e movimentação financeira da facção.
A transferência havia sido autorizada pelo Tribunal de Justiça de SP em agosto e atendida pelo Ministério Público paulista, que recomendou o envio do detento para uma unidade de segurança máxima estadual, devido à sua periculosidade. A Penitenciária de Presidente Venceslau concentra atualmente líderes do PCC antes de decisões sobre remanejamento ao sistema federal.
Histórico do criminoso indica participação na chamada Sintonia Final da Rua, cúpula da facção formada após a primeira fase da Operação Sharks, deflagrada em 2020. A operação visava a nova liderança da facção, com atuação no Brasil, Bolívia, Paraguai e África. Na época, Tuta assumiu o comando após a transferência de Marcola para presídio federal. A facção movimentava cerca de R$ 100 milhões por ano, segundo investigações, com atividades ligadas a tráfico de drogas, extorsões e lavagem de dinheiro, usando veículos e imóveis para ocultar valores.
A prisão do líder na Bolívia envolveu a Fuerza Especial de Lucha contra el Crimen, que o deteve com documentos falsos. Um major da polícia boliviana também foi preso por suspeita de protegê-lo. A Interpol havia emitido alerta internacional para sua captura, e sua transferência ao Brasil seguiu todos os trâmites legais, garantindo que Tuta fosse levado sob máxima segurança ao sistema prisional paulista.