O criminoso Hygor Honorato dos Santos teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva nesta sexta-feira (17), após uma sequência de 14 assaltos cometidos no mesmo dia em diferentes pontos de São Paulo. Ele foi baleado ao tentar roubar um policial civil dentro de um restaurante em Osasco, na Grande São Paulo, e foi socorrido sob custódia.
De acordo com a Polícia Civil, Hygor começou a série de crimes ainda na manhã de quinta-feira (16), na região da Vila Leopoldina, na Zona Oeste, e seguiu em ação por vários bairros até ser interceptado no restaurante. O criminoso, que usava um colete à prova de balas e trocava de roupa a cada ataque, tinha como alvo preferencial correntinhas, pulseiras e alianças de ouro, objetos de fácil revenda no mercado ilegal.
Câmeras de segurança do local registraram o momento do último assalto. Nas imagens, três homens aparecem sentados em um sofá tirando uma selfie quando Hygor entra disfarçado de entregador de aplicativo, faz uma pergunta e aparenta sair. Segundos depois, ele se vira, saca uma arma e atira. Um dos clientes, que era policial civil, reage ao ataque. O enteado do agente é atingido na perna, enquanto o suspeito leva quatro tiros e cai no chão. O vídeo mostra ainda outro homem encostado na parede, imóvel, diante da confusão.
Mesmo ferido, o assaltante foi socorrido por equipes de resgate e levado sob escolta policial. Do lado de fora, um comparsa fugiu em uma motocicleta e ainda não foi localizado.
As investigações apontam que Hygor começou a agir por volta das 9h, sempre armado e mudando o disfarce entre os roubos. Em uma das filmagens, ele aparece com uma jaqueta diferente, abordando uma mulher que acabava de sair do carro. Ele exige apenas a corrente de ouro e foge em seguida.
Com o suspeito, a polícia apreendeu 14 alianças, correntes, pulseiras, um relógio e dinheiro, além de um colete balístico e uma pistola.
O caso reforça uma tendência de aumento nos roubos de joias e bijuterias na capital paulista. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP), de janeiro a agosto de 2025 foram 2.847 alianças roubadas na cidade — uma média de um roubo a cada duas horas. O número representa um crescimento de 73% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registradas 1.646 ocorrências.
Na mesma quinta-feira, a Polícia Civil deflagrou uma megaoperação em Paraisópolis, Zona Sul da capital, contra quadrilhas especializadas nesse tipo de roubo. A ação, conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), contou com 170 agentes, 36 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão. As investigações identificaram a comunidade como base de grupos que atuavam em toda a cidade, estruturados em cadeia: ladrões, receptadores e revendedores.
Durante a operação, Guilherme Heisenberg da Silva Nogueira, conhecido como Bronx, apontado como um dos principais articuladores do esquema de receptação e tráfico de armas, foi morto ao, segundo a polícia, reagir à prisão e atirar contra os agentes.
O diretor do Deic, Ronaldo Sayeg, explicou que o objetivo é desarticular toda a estrutura criminosa. “É uma grande corrente com vários elos. Nossa meta é romper essa corrente do crime e reduzir o número de assaltos violentos que têm assustado a população”, afirmou.
A defesa de Hygor não foi localizada até o momento da publicação.