Animais Aves Silvestres

Belga é preso em Guarulhos com 18 aves nativas escondidas na mala ao tentar embarcar para a França

Um cidadão belga foi preso neste sábado (18) no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) após tentar embarcar para a França com 18 aves silvestres da fauna brasileira escondidas dentro da mala. O flagrante foi feito por agentes da Polícia Federal (PF) durante a inspeção de bagagens com raio-x na área de embarque internacional.

Os policiais notaram a presença de pequenas caixas dentro de uma das malas e, ao abrirem o compartimento, encontraram os pássaros vivos, todos acondicionados de forma precária e sem ventilação adequada. As aves apresentavam sinais de estresse e debilidade devido ao confinamento e foram imediatamente resgatadas.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi acionado para identificar e avaliar as condições dos animais. De acordo com o órgão, as espécies apreendidas são nativas e ameaçadas de redução populacional, o que torna o crime ainda mais grave. Entre os pássaros estavam 2 tangarazinhos, 5 saíras-sete-cores, 7 saíras-douradinhas, 2 saíras-militar e 2 saíras-da-terra — todas conhecidas pelo colorido exuberante e pela alta procura no tráfico de animais silvestres.

As aves foram encaminhadas aos cuidados do Ibama, onde receberão atendimento veterinário e passarão por um processo de reabilitação antes de serem devolvidas à natureza. O órgão ressaltou que o transporte irregular causa graves danos à fauna brasileira, sendo uma das principais causas da morte de milhares de animais por ano.

Segundo a PF, o passageiro não possuía qualquer documentação que autorizasse a captura, o manejo ou o transporte das aves, o que configura crime ambiental. As investigações também apontaram que o homem já havia viajado ao Brasil onze vezes desde 2023, o que levanta suspeitas de envolvimento em uma possível rede internacional de tráfico de animais silvestres.

O suspeito foi levado à sede da Polícia Federal em Guarulhos, onde prestou depoimento. Ele deve ser encaminhado à Justiça Federal e pode responder por crimes contra a fauna, receptação e maus-tratos, cujas penas somadas podem ultrapassar cinco anos de prisão.

O caso volta a chamar atenção para o tráfico internacional de animais brasileiros, um dos maiores do mundo. Estima-se que milhões de aves, répteis e mamíferos sejam retirados anualmente de seus habitats naturais e vendidos ilegalmente, muitas vezes para colecionadores estrangeiros.

As autoridades reforçam o alerta de que a compra e o transporte ilegal de animais silvestres contribuem para o desequilíbrio ecológico e a extinção de espécies. A PF e o Ibama continuam investigando o caso para identificar possíveis comparsas do suspeito e a rota utilizada para envio dos animais ao exterior.