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Defensoria pede indenização milionária por racismo contra adolescentes no Shopping Higienópolis

A Defensoria Pública de São Paulo ingressou nesta terça-feira (21) com uma ação judicial pedindo indenização de R$ 759 mil por danos morais a um dos adolescentes vítimas de racismo no Shopping Pátio Higienópolis, localizado na Zona Oeste da capital paulista. O episódio, ocorrido em abril deste ano, envolveu dois meninos negros, estudantes de uma escola particular, que foram abordados de forma discriminatória por uma funcionária terceirizada do shopping.

De acordo com o processo, os adolescentes estavam acompanhados de uma amiga branca quando a funcionária questionou se eles a estavam incomodando ou pedindo dinheiro. A abordagem gerou constrangimento, lágrimas e revolta entre os colegas. O caso teve grande repercussão à época, provocando protestos de estudantes e debates sobre o racismo estrutural presente em espaços considerados de elite na cidade de São Paulo.

A Defensoria argumenta que o ocorrido representa violação de direitos fundamentais e pede, além da indenização financeira, uma série de medidas reparatórias. O órgão solicita que o shopping e a empresa terceirizada ofereçam acompanhamento médico e psicológico gratuito ao adolescente, com profissionais capacitados em abordagem antirracista, pelo tempo necessário à recuperação emocional.

A ação também requer que o jovem receba bolsa de estudos permanente, com cobertura de alimentação, transporte, reforço escolar e atividades esportivas, além da publicação de desculpas formais no Diário Oficial do Estado e em veículos de grande circulação.

Na petição, as defensoras públicas Gabriele Bezerra e Lígia Guidi e os defensores Vinicius Silva e Gustavo Santos afirmam que “os reflexos do racismo na vida e na saúde da população preta são profundos e muitas vezes insuperáveis”, especialmente quando as vítimas são crianças.

Em resposta, o Shopping Pátio Higienópolis afirmou “desconhecer a ação” e informou que se manifestará nos autos assim que for notificado. A administração do centro comercial já havia divulgado nota lamentando o episódio e disse manter treinamentos de capacitação para seus funcionários.

O caso, entretanto, não é isolado. O mesmo shopping já foi cenário de outros episódios de racismo. Em 2022, adolescentes denunciaram ter sido seguidos por um segurança dentro de uma loja de eletrônicos.

Professores e familiares relatam que as crianças continuam emocionalmente abaladas. “Eles ficaram visivelmente afetados. Sentem que não pertencem àquele espaço. É uma dor que ultrapassa o momento”, afirmou o professor Diego Penã Castellon, que presenciou a cena.

A mãe de uma das vítimas, Leni Pires das Mercês, lamentou o ocorrido: “Minha filha chorou muito. É triste que isso ainda aconteça em 2025, especialmente com crianças. É uma violência que marca.”

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o caso foi registrado e que as medidas legais estão sendo tomadas. A Defensoria reforça que o pedido de reparação tem caráter pedagógico e simbólico, para reafirmar que “o racismo é crime e precisa ter resposta firme das instituições de Justiça”.