4-Amarela Filas Ônibus São Paulo

Falha na Linha 4-Amarela causa colapso no transporte: usuários enfrentam filas, superlotação e espera de até 1h30

A manhã desta terça-feira (21) foi marcada por caos e desespero entre passageiros da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo, administrada pela concessionária ViaQuatro. Uma falha no sistema de sinalização, registrada logo na abertura da operação, às 4h40, deixou milhares de pessoas sem transporte e provocou bloqueios nas catracas, filas gigantescas e pontos de ônibus superlotados.

A normalização total do serviço só ocorreu por volta das 11h30, após mais de seis horas de transtornos. A linha, que diariamente transporta cerca de 702 mil passageiros, teve interrupções no trecho entre as estações Luz e Vila Sônia, afetando trabalhadores e estudantes em plena hora de pico.

Nos primeiros momentos da falha, a ViaQuatro informou que os trens circulavam com lentidão, mas equipes de reportagem e passageiros constataram paralisação total. Nas plataformas, houve desinformação, empurra-empurra e até casos de mal-estar — uma mulher chegou a desmaiar, bateu a cabeça e precisou de atendimento do SAMU.

Usuários relataram esperas superiores a 1h30 por um trem ou por ônibus da operação Paese, acionada apenas às 4h55, mas que só começou a operar efetivamente depois das 6h20. Durante esse intervalo, milhares de pessoas se acumularam nas saídas das estações, tentando embarcar nos poucos veículos disponíveis.

“Cheguei às 5h10, entrei no trem e ele ficou parado, sem ar, sem luz. Depois mandaram todo mundo sair. Disseram que tinha trem e não tinha, disseram que tinha Paese e não tinha”, relatou Ana, que saiu de Ferraz de Vasconcelos às 4h da manhã para trabalhar.

Outra passageira, Priscila, que trabalha no Morumbi, esperava desde as 5h na estação Luz sem conseguir embarcar. “A passagem não é barata e a gente passa por esse caos todo dia. É revoltante”, disse à reportagem.

A confusão se estendeu para fora das estações. As filas para o Paese ultrapassavam quarteirões, e muitos usuários subiram nos ônibus em meio a empurrões e correria. Uma passageira desabafou: “O governador vive privatizando as linhas, aumentando tarifas, mas o mínimo — que é informação e respeito — não existe.”

Diante da lentidão, a ViaQuatro afirmou que acionou 24 ônibus inicialmente, aumentando o número para 34 veículos às 7h10, quando a demanda já estava descontrolada. Em nota, a concessionária disse “lamentar os transtornos” e garantiu que os trens não chegaram a parar completamente, mas circularam com velocidade reduzida e intervalos ampliados.

A empresa ainda reconheceu que alguns agentes informaram incorretamente sobre a paralisação total das viagens e justificou que o fechamento temporário das transferências e catracas foi feito para “controlar o fluxo e garantir a segurança dos passageiros”.

Apesar das explicações, os relatos de passageiros e as imagens registradas nas estações mostraram plataformas vazias de trens e lotadas de pessoas, muitas sem conseguir chegar ao trabalho. “É uma humilhação diária. A gente paga caro e ainda precisa implorar por um transporte digno”, resumiu um usuário.

O incidente reacendeu o debate sobre a privatização das linhas do metrô e a eficiência das concessionárias no atendimento à população. Para muitos paulistanos, o episódio desta terça é mais um retrato do colapso no transporte público da capital, onde falhas operacionais, superlotação e falta de informação seguem como rotina.