O influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido nas redes sociais como Buzeira, tornou-se novamente alvo da Justiça de São Paulo. A 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital paulista acatou um novo pedido de prisão preventiva contra ele, no âmbito de um processo que investiga a lavagem de dinheiro em rifas online de carros e artigos de luxo.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sustenta que Buzeira utilizava rifas para disfarçar movimentações financeiras ilícitas, vendendo automóveis usados como se fossem novos, em sorteios de grande alcance nas redes sociais. Com mais de 15 milhões de seguidores no Instagram, o influenciador ficou famoso por promover prêmios milionários e exibir uma vida de ostentação, marcada por carros esportivos, relógios caros, joias e até helicópteros.
Buzeira já está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) IV de Pinheiros, em decorrência das acusações feitas na Operação Narco Bet, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em parceria com o MP-SP. Essa operação revelou um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado, comandado pelo contador Rodrigo de Paula Morgado, apontado como o mentor financeiro do grupo.
De acordo com os investigadores, Morgado movimentou mais de R$ 19,7 milhões por meio da empresa Buzeira Digital Ltda, sem comprovação da origem dos valores. Ele também teria transferido R$ 6,5 milhões para a compra de uma casa de luxo para o influenciador. Mensagens e comprovantes encontrados no celular de Morgado indicam que Buzeira tinha conhecimento das transações, reforçando a suspeita de envolvimento direto.
Além de Buzeira, o influenciador Rudny Alan Damasceno, conhecido como “Rudny da Hornet”, também é réu no mesmo processo. Ambos são acusados de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que usava empresas de fachada e “laranjas” para ocultar valores provenientes de atividades ilegais.
Em nota à imprensa, a defesa de Buzeira afirmou que o influenciador é trabalhador, possui renda lícita e atua de forma transparente nas redes sociais, negando qualquer vínculo com o crime organizado. Já a defesa de Rodrigo Morgado declarou que o contador é inocente e apenas prestava serviços técnicos regulares, dentro dos limites legais de sua profissão.
O processo tramita sob segredo de Justiça, e o novo pedido de prisão reforça a pressão judicial sobre Buzeira, que enfrenta duas frentes de investigação simultâneas — uma conduzida pela Polícia Federal e outra pelo Ministério Público paulista.