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Tragédia em Osasco: três pessoas morrem após consumir bebida com metanol em churrasco; jovem de 25 anos é 7ª vítima em SP

A sequência de mortes provocadas por bebidas adulteradas com metanol continua crescendo no estado de São Paulo. A sétima vítima confirmada é Cleiton da Silva Conrado, de 25 anos, encontrado morto dentro de casa em Osasco, na Região Metropolitana. O caso ocorreu após um churrasco entre amigos no fim de setembro e já contabiliza três mortes ligadas ao mesmo evento.

De acordo com o boletim de ocorrência, Cleiton foi localizado sem vida no dia 23 de setembro, após passar mal junto à companheira, Jhenifer Carolina dos Santos Gomes, que chegou a ser socorrida, mas morreu posteriormente no hospital. O dono da residência onde ocorreu o churrasco, Daniel, também não resistiu aos efeitos da intoxicação.

O Instituto Médico Legal (IML) confirmou que Cleiton tinha 16 decigramas de metanol por litro de sangue, quantidade suficiente para causar lesões neurológicas graves e falência múltipla dos órgãos. O exame também apontou presença de cocaína, mas a principal causa da morte foi atribuída à intoxicação por metanol.

O médico do Samu que atendeu a ocorrência relatou que o jovem foi encontrado já sem sinais vitais e sem indícios de violência física, o que reforçou a hipótese de envenenamento acidental por bebida contaminada.

Segundo relatos de Josiellen dos Santos de Jesus, viúva de Daniel e prima de Jhenifer, o churrasco havia sido organizado justamente para que ela e o marido conhecessem Cleiton, novo companheiro da prima. “Foi um encontro de família, algo simples. No final, ficaram só eles três bebendo, e no dia seguinte estavam mortos. Eu só não fui mais uma vítima porque não bebo”, contou emocionada.

Durante a confraternização, Daniel e Cleiton saíram várias vezes para comprar bebidas em uma adega da região, onde adquiriram combos de uísque com energético e, possivelmente, garrafas de gin — produto que pode estar ligado ao surto de metanol que vem sendo investigado pela polícia paulista.

Equipes da Perícia Científica recolheram todas as garrafas encontradas na casa para análise. As autoridades agora apuram se a adega mencionada está conectada a outros casos de intoxicação registrados na capital e na Grande São Paulo.

O governo estadual já confirmou sete mortes oficialmente associadas ao consumo de bebidas com metanol — número que pode aumentar à medida que novos exames toxicológicos forem concluídos.

As vítimas de Osasco se somam a uma lista crescente de pessoas afetadas por produtos falsificados vendidos ilegalmente como bebidas alcoólicas, reacendendo o alerta das autoridades sanitárias e de segurança pública.

O Centro de Vigilância Sanitária reforça que o metanol não pode ser ingerido por humanos e que seu uso se restringe à indústria química. A substância, ao ser metabolizada pelo fígado, se transforma em compostos altamente tóxicos que atacam o sistema nervoso central, o fígado, os rins e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e morte.

A tragédia de Cleiton, Jhenifer e Daniel evidencia o risco crescente das bebidas de procedência duvidosa e a urgência de fiscalização mais rigorosa em adegas e distribuidoras de pequeno porte.