O empresário italiano Andréa da Silva Ciaccio, de 52 anos, foi absolvido pela Justiça de São Paulo dos crimes de estupro e cárcere privado, mas condenado por lesão corporal cometida contra sua ex-companheira. O caso, que chamou atenção pela gravidade das acusações, vinha sendo investigado desde junho, quando o estrangeiro foi preso em flagrante em sua casa, na Zona Sul da capital paulista.
A decisão foi proferida pelo juiz Leonardo Prazeres da Silva, da 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Santo Amaro. O magistrado entendeu que não havia provas suficientes para sustentar todas as denúncias apresentadas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que incluíam violência psicológica, estupro de vulnerável, tráfico de drogas e cárcere privado.
Segundo a sentença, durante o julgamento, a própria vítima negou ter sido mantida em cárcere ou violentada sexualmente, confirmando apenas as agressões físicas sofridas durante o relacionamento. Diante disso, o juiz condenou o réu somente pelo crime de lesão corporal, fixando a pena em 2 anos e 11 meses de prisão em regime fechado e o pagamento de indenização de R$ 8 mil à mulher.
Mesmo com a absolvição parcial, o juiz negou o direito de recorrer em liberdade, justificando a decisão pelo fato de Andréa ser reincidente e possuir dupla cidadania (italiana e brasileira), o que configuraria risco de fuga do país.
A defesa do empresário, representada pelo advogado Eduardo Maurício, classificou a prisão como “ilegal e abusiva” e anunciou que pretende entrar com um habeas corpus para que o cliente possa responder ao processo em liberdade. “Ficou claro que não havia provas das acusações mais graves. Vamos lutar para que ele não permaneça detido injustamente”, afirmou o advogado.
O processo segue em segredo de Justiça, e a defesa da vítima não foi localizada até o momento da publicação.
Entenda o caso
As acusações contra o italiano surgiram em maio de 2025, após uma denúncia feita por uma amiga da vítima, que apresentou à polícia fotos e vídeos mostrando hematomas no rosto da mulher. De acordo com o inquérito, os crimes teriam ocorrido na residência de Andréa, no bairro Campo Belo, na Zona Sul de São Paulo, entre janeiro e maio daquele ano.
O Ministério Público sustentava que o acusado dopava a mulher, a trancava dentro de casa e a submetia a violência física, psicológica e sexual, inclusive com episódios de humilhação. No dia da prisão, a Polícia Civil realizou uma operação e flagrou o empresário tentando fugir pelos fundos do imóvel. Ele foi contido por três agentes após resistir à abordagem.
Durante a revista, os policiais encontraram 17 papelotes com substância semelhante à cocaína, além de celular e documentos pessoais do acusado. O caso foi registrado na 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e, desde então, tramitava com várias denúncias acumuladas.
Com a decisão desta semana, Andréa da Silva Ciaccio permanece preso, mas agora apenas pela condenação de lesão corporal, enquanto a Justiça descartou os demais crimes por falta de provas consistentes.