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PCC montou base a menos de 1 km da casa de promotor para planejar atentado contra autoridades em São Paulo

A Operação Recon, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em parceria com a Polícia Civil, revelou um plano sofisticado do Primeiro Comando da Capital (PCC) para assassinar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o coordenador de presídios Roberto Medina. Segundo as investigações, integrantes da facção criminosa alugaram uma casa de luxo a menos de um quilômetro da residência do promotor, em Presidente Prudente, com o objetivo de observar e mapear sua rotina e a de seus seguranças.

Imagens aéreas mostraram intensa movimentação de pessoas no local, que também funcionava como ponto de distribuição de drogas. As apurações indicam que os criminosos pretendiam atacar o promotor no trajeto entre sua casa e o trabalho, aproveitando informações coletadas por meio de vigilância constante.

Lincoln Gakiya é promotor desde 1996 e atua no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ele é um dos principais alvos do PCC desde que passou a investigar as lideranças da facção e suas tentativas de infiltração em estruturas do Estado. Ao longo de mais de duas décadas, Gakiya se tornou símbolo da resistência institucional contra o crime organizado em São Paulo.

De acordo com o MP, o grupo responsável pelo monitoramento fazia parte de uma célula compartimentada e altamente disciplinada, criada especificamente para coletar informações detalhadas sobre a rotina de autoridades públicas e seus familiares. O objetivo era preparar atentados com precisão e dificultar a descoberta da trama. Cada integrante cumpria uma função específica, sem conhecer o plano completo, o que aumentava o grau de sigilo e complexidade da operação.

As buscas realizadas nesta sexta-feira (24) em sete cidades do interior paulista — entre elas Presidente Prudente, Álvares Machado, Martinópolis e Presidente Bernardes — resultaram em 25 mandados de busca e apreensão, além da quebra dos sigilos telefônico e telemático dos suspeitos.

A investigação teve início em julho, quando um homem identificado como Vitor Hugo da Silva, conhecido como VH, foi preso por tráfico de drogas. A análise de seu celular revelou dados sobre o plano para matar Roberto Medina, incluindo vídeos e fotos com o trajeto diário do coordenador de presídios. Em conversas interceptadas, os criminosos demonstravam preocupação com câmeras de segurança e possíveis rastreamentos.

Com base nas informações, os investigadores chegaram a Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o Corinthinha, e a Sérgio Garcia da Silva, o Messi, também ligados ao PCC. Ambos foram presos, e os celulares apreendidos continham mensagens e prints de rotas usadas tanto por Medina quanto por Gakiya. As provas reforçam a hipótese de que o grupo preparava ataques simultâneos contra as duas autoridades.

Embora a Polícia Civil não tenha confirmado relação direta entre esse plano e o assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, executado em julho, chamou atenção o fato de os monitoramentos contra Gakiya e Medina terem começado na mesma época.

A Operação Recon segue em andamento para identificar outros envolvidos e mapear a cadeia de comando da célula criminosa. O MP-SP afirmou que as provas recolhidas nesta etapa serão essenciais para desmantelar a estrutura de inteligência do PCC e impedir novos atentados contra representantes do Estado.