Política

Brasileiros vivem horas de tensão na Jamaica e erguem barricadas antes da chegada do furacão Melissa

Turistas brasileiros que estão na Jamaica vivem momentos de tensão e improvisam barricadas dentro dos quartos de hotel enquanto aguardam a chegada do furacão Melissa, classificado como categoria 5 — o nível máximo na escala de intensidade. O fenômeno, descrito por meteorologistas como a “tempestade do século”, deve atingir o solo jamaicano na manhã desta terça-feira (28) com ventos que podem ultrapassar 290 km/h, antes de seguir rumo a Cuba.

A contadora Mariana Caserta, de São Paulo, relatou que ela e sua família estão isolados em um hotel em Ocho Rios. As portas e janelas foram reforçadas com camas e móveis, seguindo orientações da administração. “Estamos confinados, sem poder circular. As camas estão na janela para proteger do impacto dos ventos”, contou Mariana, descrevendo um cenário de apreensão marcado por alarmes e instruções constantes.

Outra brasileira, a agente de viagens Karina Okamoto, hospedada com o marido em um resort de luxo na mesma região, relatou que o casal foi deslocado para um teatro que serve como abrigo. “Estamos aqui desde cedo. O vento é muito forte, arrancou folhas de coqueiros e o hotel reforçou as áreas comuns. Nunca imaginei passar algo assim em uma viagem de aniversário de casamento”, disse.

As autoridades locais classificam o Melissa como o furacão mais poderoso a atingir a Jamaica desde o início dos registros meteorológicos, há 174 anos. A Cruz Vermelha alerta que o fenômeno deve afetar ao menos metade da população da ilha, cerca de 1,5 milhão de pessoas. O governo jamaicano decretou evacuação obrigatória em diversas regiões, inclusive na capital Kingston, e mobilizou cerca de 900 abrigos para acolher moradores.

O primeiro-ministro Andrew Holness afirmou que “não há infraestrutura capaz de suportar um furacão dessa magnitude”, destacando que o grande desafio será a recuperação do país após a passagem do ciclone. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) classificou o evento como “catastrófico”, com risco de inundações repentinas, deslizamentos de terra e elevação do nível do mar em até quatro metros.

Até o momento, o furacão já causou sete mortes no Caribe — três na Jamaica, três no Haiti e uma na República Dominicana. O governo cubano também iniciou a evacuação de mais de 600 mil pessoas nas províncias do leste do país, onde o Melissa deve tocar o solo ainda nesta noite.

Em meio à tempestade, o medo e a incerteza dominam a Jamaica. “As pessoas estão tentando se proteger em casa, mesmo com ordens de evacuação. Há um medo real de perder tudo”, relatou Colin Bogle, assessor da organização humanitária Mercy Corps. O governo reforça que a população deve estocar água e energia, e que a prioridade agora é sobreviver.