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Testemunha relata desespero ao socorrer empresário espancado por segurança e deixado desacordado em calçada de Guarulhos

Um ato de brutalidade em Guarulhos, na Grande São Paulo, resultou na morte do empresário Paulo Vinícius dos Santos, de 35 anos, que foi agredido por um segurança de uma adega e deixado inconsciente na calçada por mais de duas horas. A tragédia, registrada por câmeras de segurança, comoveu a cidade e levanta questionamentos sobre a omissão de socorro e a violência em estabelecimentos noturnos.

A testemunha Robson Alves, cantor de pagode que acionou o resgate, descreveu o momento em que encontrou o empresário caído. “Ele estava com um corte profundo na cabeça, desfalecido, quase sem reação. Fiquei chocado e imediatamente tentei chamar o Samu, mas ninguém atendeu. Depois, liguei para os Bombeiros e, cerca de meia hora depois, as viaturas chegaram”, relatou.

O caso aconteceu na madrugada de 19 de outubro, quando Paulo Vinícius discutiu com o segurança Deivid Ferreira, de 45 anos. As imagens mostram o momento em que o agressor desfere um soco no rosto da vítima, que cai de costas entre dois carros estacionados. Mesmo inconsciente, o empresário foi arrastado com a ajuda de outro homem até um estacionamento ao lado, onde foi abandonado.

Segundo a investigação, Paulo permaneceu desacordado por quase duas horas até receber atendimento médico. Foi levado ao hospital em estado grave e, após dias de internação, morreu de traumatismo craniano em 24 de outubro. Pai de dois filhos, de 7 e 14 anos, ele foi sepultado em Guarulhos no domingo (26).

Deivid Ferreira foi preso por homicídio doloso (quando há intenção de matar) na segunda-feira (27), em Arujá, no interior paulista, e deve passar por audiência de custódia nesta terça (28). A Polícia Civil também investiga se houve omissão de socorro por parte do agressor e de outras pessoas que estavam no local.

A testemunha contou que tentou conversar com o segurança logo após a agressão, mas foi recebido com hostilidade. “Ele estava alterado e disse: ‘Se estão com dó, resgatem vocês mesmos’”, afirmou Robson Alves.

A irmã da vítima, Caroline Martins dos Santos, acredita que o irmão apenas tentava voltar ao local após se despedir dos amigos. “Ele devia estar saindo e quis retornar, mas foi barrado. E isso acabou em tragédia”, lamentou.

Em nota, os advogados da família, Luis Gabriel Vieira e Gabriel Constantino, classificaram o ato como “covarde e injustificável”, e cobraram uma resposta firme da Justiça. “A conduta do agressor culminou na supressão do maior bem jurídico que possuímos: a vida”, declararam.

Enquanto o inquérito avança, o caso reacende o debate sobre a violência praticada por seguranças particulares e a falta de protocolos eficazes de contenção e socorro em bares e casas noturnas. Para a família e amigos, resta a dor e a luta por justiça.