Política São Paulo

Ex-subprefeita acusada de extorsão mantém cargo político e salário de R$ 15 mil na Câmara de SP

A ex-subprefeita da Lapa, Fernanda Maria de Lima Galdino, voltou à cena política mesmo após ter sido presa em 2022 por suspeita de extorsão de comerciantes. Desde maio de 2024, ela ocupa um cargo de confiança na liderança do Partido Verde (PV) na Câmara Municipal de São Paulo, onde recebe R$ 15 mil de salário e mais R$ 3,4 mil de auxílio-saúde, ultrapassando os R$ 18 mil mensais.

Lotada no gabinete do vereador Roberto Tripoli, único representante do PV na Casa, Fernanda raramente é vista no Palácio Anchieta, segundo funcionários do próprio partido. A legenda afirma que ela “atua na periferia da Zona Leste” realizando atividades políticas.

Fernanda Galdino ficou conhecida após o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) desarticular, em 2022, um esquema de cobrança de propina para liberar alvarás de eventos na região da Pompeia, Zona Oeste. Na época, ela foi presa preventivamente e depois libertada por habeas corpus, permanecendo ré no processo por extorsão e improbidade administrativa.

De acordo com a denúncia, fiscais da subprefeitura cobravam até R$ 30 mil de comerciantes para autorizar festas e feiras. As investigações apontaram que os pagamentos só eram liberados mediante propina, o que levou à prisão de dois servidores e à exoneração de Galdino pelo então prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Mesmo após o escândalo, Fernanda voltou a atuar na política. Nas redes sociais, ela aparece em fotos fazendo campanha para Roberto, Ricardo e Giovanna Tripoli, figuras tradicionais do PV paulista.

Em nota, sua defesa afirmou que nenhuma testemunha confirmou a participação da ex-subprefeita no suposto esquema e que o processo “é de natureza política”. “Fernanda é inocente e assim será declarada ao término da instrução criminal”, afirmaram os advogados Eduardo Samoel Fonseca e Gilney Melo, alegando que não há impedimentos para ela exercer cargos públicos.

O PV, por sua vez, declarou que Fernanda “foi processada, mas não julgada” e reiterou que o trabalho dela ocorre “na periferia da Zona Leste”. A Câmara Municipal confirmou que ela foi nomeada em maio de 2024 e recebe remuneração bruta de R$ 15.063,87.

O caso criminal segue em segredo de Justiça, com audiência marcada para 12 de novembro. Já o inquérito civil foi arquivado, pois o MP entendeu que, apesar de confirmada a exigência de propina, as vítimas não realizaram o pagamento, o que descaracterizou o ato de improbidade.

Enquanto o processo não é concluído, Fernanda segue atuando politicamente e recebendo salário público, reacendendo o debate sobre moralidade, presunção de inocência e uso de cargos políticos para reabilitação de figuras envolvidas em escândalos.