A Polícia Civil de São Paulo identificou o cúmplice do criminoso que atirou e matou a jovem Beatriz Munhos, de 20 anos, durante uma emboscada armada por falsos compradores de um drone avaliado em R$ 27 mil. O crime, que aconteceu no último sábado (1º) em Sapopemba, na Zona Leste da capital, foi gravado por câmeras de segurança e causou grande comoção no estado.
De acordo com o delegado Walter Sérgio de Abreu, responsável pela investigação na 8ª Delegacia Seccional, o homem identificado seria o piloto da moto usada no assalto. Ele aparece nas imagens levando o comparsa que efetuou o disparo fatal contra Beatriz, na frente do pai e do namorado da jovem. A Justiça já decretou a prisão temporária do suspeito, que está foragido.
A identificação foi possível após análise das câmeras de segurança e reconhecimento fotográfico feito por uma das vítimas. Segundo a polícia, o cúmplice tem antecedentes criminais por roubo. O garupa, responsável pelo tiro, ainda não foi formalmente identificado, mas a polícia trabalha com uma suspeita sobre sua identidade.
“Já conseguimos identificar um dos autores, que foi reconhecido pela vítima. Ele está com prisão decretada e seguimos em buscas para localizá-lo”, informou o delegado Walter. Três mandados de busca e apreensão foram cumpridos durante a madrugada de segunda-feira (3), mas o suspeito não foi encontrado.
As investigações apontam que Beatriz, seu pai, Lucas Munhoz, e o namorado dela, Leonardo Jesus da Silva, caíram em um golpe meticulosamente planejado. Os criminosos fingiram interesse em comprar o drone anunciado na internet e combinaram um encontro à noite, em uma rua pouco movimentada. A família viajou de Sorocaba até a capital acreditando que concluiria a venda, mas acabou cercada pelos assaltantes.
Durante o assalto, Beatriz reagiu ao ver o pai e o namorado sendo rendidos. De dentro do carro, a jovem disparou spray de pimenta contra um dos ladrões, que revidou com um tiro à queima-roupa, atingindo-a na cabeça. Ela morreu no local. O pai entregou o celular e o namorado ainda tentou deter o atirador, segurando a bolsa térmica de entregador usada como disfarce. Os criminosos fugiram logo em seguida.
“Foi uma emboscada. Entregamos tudo, mas mesmo assim o homem atirou na cabeça da minha filha. Eles não têm nenhum tipo de compaixão”, desabafou Lucas, que presenciou o assassinato.
O delegado classificou o caso como uma “puxada”, termo usado para golpes em que as vítimas são atraídas para locais estratégicos de roubo. Ele também alertou para que negociações virtuais sejam feitas sempre em locais públicos e movimentados, como shoppings ou delegacias, para reduzir o risco de ataques.
O corpo de Beatriz foi sepultado nesta segunda-feira (3) no Cemitério Consolação, em Sorocaba. Familiares e amigos se despediram sob forte emoção e pedidos de justiça. “Que crueldade fizeram com a minha pequena”, lamentou o pai em vídeo publicado nas redes sociais.
A Secretaria de Segurança Pública informou que a região onde o crime ocorreu registrou queda nos índices de roubo e latrocínio em 2025, mas destacou que o caso de Beatriz “representa uma tragédia isolada e de grande impacto”.
Denúncias que possam ajudar a localizar os suspeitos podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 181, do Disque-Denúncia.