abordagens Justiça Polícia

Justiça de SP liberta policial que matou adolescente durante abordagem violenta na Zona Leste

A Justiça de São Paulo concedeu, nesta segunda-feira (3), liberdade provisória ao sargento da Polícia Militar Thiago Guerra, acusado de matar a adolescente Victoria Manuely dos Santos, de 16 anos, durante uma abordagem em Guaianases, Zona Leste da capital paulista, em 10 de janeiro deste ano. O caso, amplamente divulgado após a divulgação das imagens de uma câmera corporal, gerou grande comoção e levantou debates sobre o uso excessivo da força policial.

O policial estava preso no Presídio Militar Romão Gomes desde o dia do crime e agora aguardará o julgamento em liberdade. Guerra é réu por homicídio qualificado, com recurso que dificultou a defesa da vítima, e será julgado pelo Tribunal do Júri. De acordo com a defesa, o militar deve deixar a unidade prisional nas próximas horas.

As imagens da bodycam mostram o momento em que Guerra, ao abordar o irmão de Victoria, Kauê Alexandre dos Santos Lima, desferiu uma coronhada na cabeça do jovem. Logo em seguida, a arma disparou, atingindo Victoria no peito. A adolescente foi socorrida ao Hospital Geral de Guaianases, mas não resistiu aos ferimentos. A cena evidencia o desespero da mãe da vítima, Vanessa Priscila dos Santos, que presenciou toda a ação e gritou por socorro: “Mataram a minha filha!”.

A versão apresentada inicialmente por Thiago Guerra no boletim de ocorrência afirmava que o disparo havia sido acidental, provocado quando Kauê teria se esquivado e tocado na arma. No entanto, as imagens da câmera corporal desmentem essa narrativa, mostrando que o sargento apontou a arma e desferiu o golpe de forma agressiva.

Segundo o delegado responsável pelo inquérito, Victor Sáfadi Maricato, a conduta do policial foi enquadrada como homicídio com dolo eventual, ou seja, quando o autor assume o risco de provocar a morte. “Ao dar uma coronhada empunhando a arma, ele assumiu o risco do disparo fatal”, afirmou o delegado.

Kauê relatou que ele e a irmã haviam terminado o expediente e estavam em uma praça com familiares quando perceberam uma movimentação policial. A equipe de Guerra estava atendendo uma ocorrência de roubo nas proximidades e acabou se dirigindo ao grupo. O que seria uma simples abordagem terminou de forma trágica, resultando na morte da adolescente e na prisão temporária do irmão, que só soube da perda da irmã ao chegar à delegacia.

A morte de Victoria provocou protestos na região e reacendeu discussões sobre a necessidade de treinamento adequado e responsabilização em casos de violência policial. A família afirma esperar por justiça e diz não compreender a decisão que permite que o sargento responda ao processo em liberdade.