Política

Gigante verde: floresta histórica de Cotia e Ibiúna se transforma em parque estadual e promete ser referência ambiental

Uma das maiores e mais antigas florestas urbanas do planeta está prestes a se tornar o mais novo parque estadual da Grande São Paulo. A Reserva Florestal do Morro Grande, localizada entre os municípios de Cotia e Ibiúna, será oficialmente transformada no Parque Estadual do Morro Grande, com abertura ao público prevista para o próximo semestre, segundo o governo paulista. A decisão marca um passo histórico na conservação ambiental do estado e atende a uma reivindicação que atravessa décadas de mobilização social.

Com uma área equivalente a 10 mil campos de futebol, o parque abriga 87% de vegetação nativa preservada — uma raridade em meio à urbanização acelerada da Região Metropolitana. O espaço protege ecossistemas essenciais da Mata Atlântica, incluindo 260 espécies de árvores, quase 200 tipos de aves e dezenas de mamíferos, como jaguatiricas, bugios e antas, que encontram ali um dos últimos refúgios próximos da capital paulista.

Além do patrimônio natural, a área inclui a Represa da Graça, responsável pelo abastecimento de parte da região metropolitana e fundamental para a segurança hídrica. O parque terá papel estratégico não apenas na conservação da biodiversidade, mas também no equilíbrio climático e na garantia de recursos hídricos para milhões de pessoas.

A criação da unidade de conservação atende a um pedido histórico de ambientalistas, que desde a década de 1970 lutam contra projetos de urbanização desordenada. Foi nessa região que um movimento ambiental impediu a construção de um aeroporto, episódio considerado um dos marcos fundadores do ambientalismo brasileiro.

De acordo com o plano do governo estadual, o Parque Estadual do Morro Grande será também um centro de pesquisa científica, educação ambiental e turismo sustentável, com trilhas monitoradas, atividades educativas e programas de conscientização voltados a escolas e visitantes.

A oficialização do parque ocorre às vésperas da COP 30, que será realizada em Belém (PA), e reforça o papel de São Paulo como referência na proteção de ecossistemas urbanos e no enfrentamento das mudanças climáticas. A expectativa é que o novo parque se torne símbolo de convivência entre cidade e natureza, abrindo espaço para uma nova relação da população com o verde que resiste ao redor da metrópole.