O problema dos fios soltos e abandonados em postes pelas ruas de São Paulo atingiu um novo patamar em 2025. A Prefeitura da capital paulista registrou 382 multas aplicadas até o momento por irregularidades relacionadas à fiação aérea — um aumento expressivo de 320% em relação ao mesmo período de 2024, quando apenas 83 autuações haviam sido registradas.
Além disso, o número de notificações por fios caídos também disparou: 1.428 neste ano contra 409 no ano passado, o que representa um aumento de 249%. A multiplicação das denúncias reflete o crescente incômodo dos moradores com a desordem visual e o risco que os cabos soltos representam para pedestres, motoristas e o fornecimento de energia.
Diante desse cenário, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou, no dia 27 de agosto, uma lei de autoria do prefeito Ricardo Nunes (MDB) que amplia em cem vezes o valor da multa aplicada às concessionárias responsáveis pela manutenção da rede. O valor, que antes era de R$ 500, agora pode chegar a R$ 50 mil por dia e por quarteirão irregular.
A Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) informou que as 32 subprefeituras intensificaram as ações de fiscalização sobre a fiação aérea em 2025. As equipes de fiscalização atuam a partir de reclamações recebidas pelo número 156, canal oficial da Prefeitura. Quando há confirmação de irregularidade, a Enel e as empresas de telecomunicações são notificadas e recebem prazo para corrigir o problema.
O tempo de resposta varia conforme o risco oferecido à população. Em situações de perigo, as empresas têm 24 horas para corrigir a falha. Caso o problema persista, aplica-se automaticamente a multa de R$ 50 mil.
A Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp) destacou que a ocupação dos postes no Brasil historicamente carece de fiscalização rigorosa, e que cabe à distribuidora de energia — no caso de São Paulo, a Enel — identificar e cobrar das empresas de telefonia, internet e TV por assinatura a regularização das redes.
Em resposta, a Enel informou ter intensificado as operações de limpeza e remoção de fios clandestinos e inutilizados. De janeiro a outubro, a companhia afirma ter retirado 5.303 kg de cabos e equipamentos irregulares de postes na capital paulista, além de realizar 5.426 fiscalizações e emitir 857 notificações formais às operadoras de telecomunicações responsáveis.
A distribuidora reforçou que vem atuando em conjunto com a Prefeitura e demais concessionárias para organizar o emaranhado de cabos que toma conta das ruas, e que continuará com as ações de retirada ao longo dos próximos meses.
Enquanto isso, os paulistanos seguem convivendo com fios pendurados, postes sobrecarregados e riscos de curto-circuito ou acidentes — um problema urbano antigo que, só agora, começa a ser enfrentado com mais rigor pelas autoridades municipais.