A explosão que destruiu uma casa no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo, na noite desta quinta-feira (13), reacendeu um alerta antigo e recorrente na capital paulista: os riscos envolvendo o armazenamento irregular de fogos de artifício. O acidente, que deixou um morto, dez feridos e um rastro de destruição na Rua Francisco Bueno, soma-se a uma série de explosões semelhantes registradas nas últimas três décadas na Grande São Paulo, que já resultaram em 26 mortes.
O caso mais recente ocorreu a poucos metros da Avenida Celso Garcia e da Salim Farah Maluf, vias de intenso comércio e circulação. A força do impacto destruiu completamente o imóvel apontado como depósito clandestino e danificou casas vizinhas, algumas interditadas pela Defesa Civil. Moradores relataram susto, portas arrancadas, vidros estilhaçados e objetos arremessados a distância. A cena, segundo testemunhas, lembrou uma “nuvem cogumelo”, tamanha a potência da explosão.
Diante do histórico, especialistas e autoridades reforçam que acidentes com fogos de artifício têm padrão semelhante: armazenamento ilegal, manipulação sem segurança e ambientes sem ventilação. A Polícia Civil investiga se o material seria usado na fabricação e soltura de balões — prática proibida e que já motivou diversas ocorrências anteriores na cidade. O corpo encontrado carbonizado passa por perícia para identificação; uma das suspeitas é de que a vítima seja o próprio morador, apontado como responsável pelo armazenamento do material.
Relembre outros casos que marcaram São Paulo:
1995 – Pirituba (Zona Norte)
Uma das explosões mais devastadoras ocorreu em Pirituba, onde meia quadra foi destruída após uma Kombi entregar três toneladas de fogos de artifício em uma loja de umbanda. Além do impacto que arrasou 23 casas, 15 pessoas morreram, consolidando o caso como um dos mais trágicos da cidade.
2001 – Casa Verde (Zona Norte)
Seis anos depois, outra explosão matou oito pessoas em uma residência onde um grupo fabricava e soltava balões. A reunião que acontecia no local terminou em tragédia quando o material armazenado detonou.
2009 – Santo André (ABC Paulista)
No ABC, uma loja de fogos sem qualquer licença explodiu após fios desencapados provocarem uma faísca. Doze imóveis foram destruídos, duas pessoas morreram e outras 12 ficaram feridas. O episódio reforçou a necessidade de fiscalização, que ainda hoje enfrenta dificuldades para rastrear depósitos clandestinos.
2013 – Vila Carrão (Zona Leste)
Outro caso emblemático envolveu uma casa que funcionava como depósito clandestino e praticamente “voou pelos ares”. Vizinhos registraram a explosão e os danos se espalharam pelas construções vizinhas. Duas pessoas ficaram feridas.
2025 – Tatuapé (Zona Leste)
No caso mais recente, moradores relatam momentos de pânico. O empresário Fabio Rubemar, que registrou o instante da explosão do alto de um prédio vizinho, disse que tudo “parecia um atentado”. A foto feita por ele intrigou internautas, que chegaram a cogitar se a imagem havia sido criada por inteligência artificial. Segundo o fotógrafo, as explosões duraram vários minutos, até a chegada do Corpo de Bombeiros, cuja base fica próxima ao local.
A polícia interditou 11 imóveis totalmente e tenta localizar o dono do depósito irregular. No interior da casa, foram encontradas evidências de fogos que possivelmente seriam usados em balões. A causa do acidente segue em investigação.
Os danos também foram sentidos em prédios próximos: vidros quebraram, carros foram atingidos e moradores foram surpreendidos pela onda de choque. Muitos descreveram um forte estrondo seguido por fumaça densa e objetos voando.
Com a recorrência de episódios semelhantes, o caso reacende o debate sobre fiscalização, denúncias de depósitos clandestinos e as dificuldades para impedir o comércio irregular de fogos de artifício na Grande São Paulo.