A explosão que destruiu completamente uma residência e causou uma onda de destruição no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo, na noite de quinta-feira (13), continua sob investigação – e agora com um novo elemento central: o morador do imóvel, Adir de Oliveira Mariano, de 46 anos. Ele já havia sido investigado no passado por envolvimento com a prática ilegal de soltar balões com fogos de artifício, o que reacende suspeitas sobre a origem do material armazenado clandestinamente no local.
De acordo com a Polícia Civil, Adir já respondeu, em 2011, a uma investigação em São José dos Campos por suposta participação em um grupo de baloeiros. Embora tenha sido absolvido em 2015 por falta de provas, postagens em suas redes sociais demonstravam interesse e envolvimento com a prática, considerada crime ambiental no Brasil devido ao risco de incêndios.
A explosão no Tatuapé ocorreu por volta das 19h45 e deixou um morto — ainda não oficialmente identificado — e dez feridos, atingidos pelo deslocamento de ar enquanto passavam de carro pela rua. O corpo encontrado dentro da casa está sendo analisado pelo Instituto Médico Legal (IML), e a principal suspeita é de que seja o próprio Adir. Sua esposa escapou por acaso: havia ido ao shopping no momento do acidente.
O impacto destruiu a residência e causou danos severos em um raio de três quarteirões, quebrando vidros, arrancando janelas, danificando carros e forçando a interdição de ao menos 23 imóveis pela Defesa Civil. Moradores relataram cenas de pânico, comparando o clarão da explosão a uma “noite de Ano Novo”, enquanto destroços eram arremessados pelas ruas.
Imagens de câmeras e vídeos feitos por moradores mostraram uma nuvem semelhante a um “cogumelo de fumaça”, reforçando a violência da explosão. Os bombeiros, que enviaram oito viaturas, confirmaram que no fundo da casa funcionava um depósito irregular de fogos, possivelmente destinados a balões. O material, altamente inflamável, pode ter provocado a deflagração, embora a causa exata ainda esteja sob análise pericial.
A investigação também apura a responsabilidade do irmão de Adir, Alessandro de Oliveira Mariano, que aparece como inquilino oficial do imóvel. Ele afirma que não sabia que o irmão morava ali e que havia alugado a casa nove anos antes, mas não residia mais no local. Segundo sua defesa, os dois não se falam há sete anos.
Enquanto autoridades tentam esclarecer as circunstâncias do acidente, famílias desalojadas relatam incerteza, medo de saques e o trauma de terem perdido tudo de forma repentina. A Prefeitura de São Paulo ofereceu apoio emergencial, mas descartou ajuda para reconstrução dos imóveis atingidos.
O caso segue sendo investigado pelo 30º Distrito Policial como explosão, lesão corporal, armazenamento irregular de fogos e crime ambiental.