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Daniel Vorcaro é transferido para presídio em Guarulhos após Justiça manter prisão por suspeita de fraudes bilionárias

O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário e presidente do Banco Master, deixou na tarde desta segunda-feira (24) a carceragem da Polícia Federal em São Paulo e foi transferido para um presídio em Guarulhos, na Grande São Paulo. A mudança de unidade acontece seis dias após sua prisão, ocorrida durante uma operação da PF que investiga um amplo esquema de irregularidades financeiras envolvendo a instituição.

Vorcaro foi detido no último dia 18 por suspeita de participação na venda de carteiras de crédito consideradas fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB). As investigações também apuram a oferta de CDBs com taxas muito acima das praticadas no mercado, levantando suspeitas de promessas de rentabilidade incompatíveis com a realidade econômica.

Na quinta-feira (20), a Justiça Federal rejeitou um pedido liminar de soltura apresentado pela defesa do banqueiro. A desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), destacou que a manutenção da prisão se baseia em fortes indícios de gestão fraudulenta e de possível atuação de uma organização criminosa. Para a magistrada, há sinais de que os investigados vinham tentando interferir no andamento das apurações, o que impediria qualquer flexibilização das medidas cautelares.

Um segundo pedido de habeas corpus ainda será analisado pelo TRF1, mas não há previsão de data. Além de Vorcaro, mais sete suspeitos ligados ao esquema foram detidos. Dois deles, no entanto, já foram liberados após decisões judiciais.

A defesa do banqueiro afirma que não existe fraude no montante de R$ 12 bilhões, valor estimado pela Polícia Federal, e sustenta que as carteiras negociadas com o BRB foram previamente adquiridas de terceiros responsáveis pela documentação e pelas averbações. Segundo os advogados, o Banco Master apenas consolidava essas carteiras, amparado por garantias contratuais que protegiam tanto o vendedor quanto o comprador, permitindo a substituição ou recompra quando necessário.

A operação da PF coincidiu com um momento sensível para o Banco Master. Horas antes da prisão, o grupo Fictor Holding Financeira havia anunciado a compra da instituição, negociação que foi automaticamente interrompida após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial e bloquear os bens dos controladores. O BC informou ainda que já havia sido concluída a substituição de mais de R$ 10 bilhões das carteiras consideradas irregulares.

De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro estaria prestes a deixar o país rumo à Europa, o que justificaria a prisão no Aeroporto de Guarulhos. A defesa rejeita essa alegação e diz que o empresário viajava para uma reunião de negócios em Dubai.

Apesar da determinação inicial de que os presos da operação permanecessem na carceragem da PF na Lapa, Zona Oeste de São Paulo, o banqueiro foi transferido para o presídio em Guarulhos após decisão judicial que ajustou a logística de custódia.

Em nota extensa, a defesa detalhou ponto a ponto o que considera “equívocos” da investigação. Os advogados afirmam que as carteiras sob suspeita nunca chegaram a ser definitivamente transferidas ao BRB e que as operações originadas diretamente pelo Banco Master nunca apresentaram irregularidades. O texto também reforça que não existe qualquer processo punitivo aberto pelo Banco Central contra Vorcaro e que a liquidação do banco teria sido precipitada pela deflagração da operação policial.