Política

Após quase um dia parado, Linha 11-Coral retoma operação e trens voltam a circular com normalidade

Após enfrentar uma das maiores interrupções de serviço do ano, a Linha 11-Coral da CPTM começou a normalizar a circulação dos trens na manhã desta quarta-feira (26), quase 23 horas depois do início de uma falha elétrica que paralisou o sistema e provocou caos no transporte público da Zona Leste de São Paulo. A pane teve início por volta das 10h35 de terça-feira (25) e deixou usuários enfrentando plataformas superlotadas, intervalos muito acima do anunciado e longas paradas entre as estações.

De acordo com a CPTM, o problema foi causado pelo enroscamento do pantógrafo — equipamento responsável por captar energia da rede aérea — em uma composição na região de Corinthians-Itaquera. A falha afetou diretamente o sistema de alimentação elétrica, comprometendo a velocidade dos trens, a regularidade da operação e o conforto dos passageiros, principalmente no horário de pico da manhã seguinte.

A empresa estadual informou que os intervalos médios entre Palmeiras-Barra Funda e Tatuapé, e também entre Estudantes e Corinthians-Itaquera, estavam oficialmente em 8 minutos. Já o trecho Tatuapé–Itaquera operava com 16 minutos de intervalo. Porém, relatos de usuários nas redes sociais e nas plataformas das estações indicavam esperas muito mais longas, além de paradas prolongadas entre uma estação e outra. A normalização total só foi registrada às 8h30.

Como medida emergencial, o sistema Paese foi acionado tanto na terça quanto nesta quarta-feira, com 28 ônibus servindo de apoio nos trechos mais críticos. A CPTM abriu transferências nas estações Tatuapé e Corinthians-Itaquera e orientou os passageiros a utilizarem alternativas como a Linha 12-Safira, a Linha 3-Vermelha do Metrô e os ônibus municipais. A empresa afirmou que equipes técnicas trabalharam ao longo de toda a madrugada para restabelecer a operação e pediu desculpas pelos transtornos.

Na terça-feira, os impactos da falha se espalharam por outras linhas de transporte, especialmente nas linhas 1-Azul e 3-Vermelha, que registraram plataformas lotadas durante o dia. A manhã desta quarta, no entanto, teve fluxo mais controlado e sem reflexos significativos no metrô.

A Linha 11-Coral está atualmente concedida à iniciativa privada. O contrato foi assinado em maio deste ano com a empresa Trivia Trens, do Grupo Comporte Participações, embora a operação ainda esteja sob responsabilidade da CPTM. Neste período pré-operacional de 12 meses, a concessionária acompanha a rotina da linha e faz treinamento das equipes que assumirão o controle das linhas 11, 12 e 13 a partir de 2026. Após a transferência, haverá ainda um segundo período de operação assistida antes que a administração seja totalmente entregue à iniciativa privada.

A falha prolongada reacendeu discussões sobre a qualidade da infraestrutura, a preparação para a transição de gestão e a necessidade de investimentos urgentes para evitar novos episódios de grande impacto, sobretudo em horários de pico, quando milhões dependem do transporte ferroviário para trabalhar e estudar.