O governo do estado de São Paulo anunciou uma das maiores expansões recentes de sua política educacional: a ampliação do programa de reforço em língua portuguesa e matemática para 2.800 escolas da rede estadual em 2026. A iniciativa, que hoje atende cerca de 200 unidades, passará a contemplar praticamente todo o território paulista, com prioridade para anos iniciais e turmas com histórico de defasagem de aprendizagem.
Com a expansão, a Secretaria da Educação prevê contratar até 5 mil novos professores para atuar exclusivamente nas aulas de reforço. Os docentes selecionados receberão o valor integral da hora trabalhada e poderão assumir até 26 aulas semanais, buscando garantir maior atratividade e estabilidade para os profissionais que participarão do programa.
As seleções ocorrerão pelo Banco de Talentos da Secretaria da Educação. Inicialmente, as vagas serão ofertadas prioritariamente a professores com formação especializada em alfabetização e letramento — áreas consideradas críticas após os resultados de avaliações diagnósticas que revelaram defasagens significativas entre estudantes, especialmente no pós-pandemia. Caso as vagas não sejam preenchidas, o processo será estendido a professores de língua portuguesa e matemática. Todos os candidatos passarão por entrevistas diretamente nas escolas onde poderão atuar.
As inscrições podem ser feitas até sexta-feira (28) no portal oficial do Banco de Talentos.
O programa de reforço escolar funciona com turmas reduzidas, de no máximo 15 alunos. A seleção dos estudantes é baseada em uma avaliação diagnóstica aplicada pela rede estadual no início do ano letivo. Segundo a diretoria da Secretaria, as escolas fazem uma triagem detalhada, identificam as lacunas de aprendizagem e entram em contato com as famílias para apresentar a necessidade do reforço.
“É um processo fundamental para recuperar o que o aluno perdeu. Mostramos a situação individual e fazemos o convite para o reforço. A adesão tem sido muito positiva”, afirma Marcos Neves dos Santos, diretor de uma das unidades que já integra o programa. Já a professora Lucilene Silva Campos destaca que a composição das turmas facilita a personalização do ensino: “Eles começam no mesmo nível, mas cada um avança conforme seu ritmo. O formato permite olhar caso a caso”.
A ampliação do programa ocorre em um contexto de preocupação com os resultados educacionais do estado. De acordo com a Secretaria, análises de desempenho feitas ao longo do ano em provas internas e externas mostraram que muitas escolas ainda apresentam níveis de aprendizagem abaixo do esperado para português e matemática. A intenção é que o reforço — agora em escala estadual — ajude a recompor essas lacunas e avance no processo de recuperação das habilidades básicas dos estudantes.
Com as contratações previstas para 2026, o governo pretende garantir que todas as escolas que apresentaram maior necessidade de intervenção pedagógica tenham equipes completas e treinadas já no início do ano letivo. A pasta também avalia ampliar formações específicas para os professores selecionados, especialmente em metodologias de alfabetização e ensino estruturado de matemática.