O Réveillon da Avenida Paulista, um dos eventos mais tradicionais e concorridos da capital paulista, terá um gasto de R$ 5,8 milhões apenas com cachês artísticos em 2025, conforme informações publicadas pela Secretaria Municipal de Cultura no Diário Oficial. Ao todo, nove atrações musicais foram contratadas para embalar 14 horas ininterruptas de festa, que promete ser uma das maiores já realizadas no coração de São Paulo.
O valor representa um salto de 77% em relação ao ano passado, quando a prefeitura destinou R$ 3,2 milhões aos artistas que se apresentaram na celebração da virada. Mesmo com o aumento expressivo nos cachês, a administração municipal afirma que o investimento total da festa permanece em R$ 13 milhões, somando infraestrutura, produção, serviços de apoio e pagamentos aos artistas. Em 2024, o evento contou com sete shows distribuídos em 12 horas, revelando uma ampliação significativa da programação.
Entre os cachês mais altos deste ano estão duas estrelas do sertanejo: Simone Mendes e Ana Castela. Cada uma receberá R$ 1,35 milhão — valores superiores à média praticada por ambas no mercado. No caso de Simone, que costuma cobrar cerca de R$ 900 mil por apresentação, a remuneração representa um reajuste de quase 49%. A cantora será responsável pela contagem regressiva para 2026, momento mais aguardado da noite. Já Ana Castela, uma das artistas mais populares do país, também teve seu cachê elevado para atender à demanda típica de grandes festas públicas de virada.
O piseiro também está representado na programação. João Gomes, conhecido como o “rei do piseiro”, deve receber R$ 1 milhão da prefeitura. Seu cachê tradicional gira em torno de R$ 700 mil, mas, segundo documentos de contratação, a alta é explicada pelo aumento natural de valores em datas festivas como Réveillon e carnaval, quando a demanda por apresentações dispara.
Outras atrações também tiveram valores definidos acima da média de mercado. Maiara & Maraisa vão receber R$ 900 mil; Belo, R$ 800 mil; e Latino, R$ 400 mil. A Secretaria Municipal de Cultura justificou que, em períodos de grande procura, é comum que os cachês subam entre 50% e 100% para atender às demandas das datas comemorativas.
A programação deste ano também inclui momentos de louvor, com três atrações cristãs: o grupo Colo de Deus, Frei Gilson e Padre Marcelo Rossi. Diferentemente das demais apresentações, os artistas religiosos participarão de forma voluntária, sem receber cachê, segundo a prefeitura.
Questionada sobre os valores contratados, a Secretaria da Cultura afirmou que utiliza o Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), criado pela Lei nº 14.133/2021, para realizar a pesquisa de preços de cachês artísticos, garantindo que o processo siga as normas de controle previstas na legislação. A pasta destacou ainda que a curadoria levou em conta estudos de consumo cultural da população paulistana, que apontam o sertanejo e o forró como gêneros musicais mais consumidos, seguidos por música gospel, pagode e samba.
Com a ampliação da grade e a presença de artistas que dominam as paradas musicais, a prefeitura aposta em uma festa de grande público e forte impacto turístico, reforçando o papel da Paulista como palco simbólico da virada de ano na cidade.