Polícia

Após sete anos, Justiça condena três membros do PCC por sequestro, tortura e morte da PM Juliane em São Paulo

Sete anos após o brutal assassinato da policial militar Juliane dos Santos Duarte, a Justiça de São Paulo condenou três homens ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) pelos crimes de sequestro, tortura e homicídio qualificado. As penas, somadas, ultrapassam 57 anos de prisão. Todos já estavam detidos e aguardavam julgamento pelo júri popular, que durou dois dias e foi concluído na sexta-feira (28) no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital paulista. Um quarto envolvido segue foragido.

Juliane, que tinha 27 anos e estava de folga, desapareceu em 2 de agosto de 2018 após entrar na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul, para participar de uma comemoração na casa de amigos. Ela estava sem uniforme e chegou ao local de motocicleta. Segundo a investigação, a presença de uma policial militar na região, controlada pela facção criminosa, incomodou traficantes que atuavam no entorno.

O episódio que desencadeou o crime ocorreu dentro de um bar, onde Juliane tentou ajudar um cliente que havia relatado o sumiço do celular. Ela se identificou como PM e afirmou que auxiliaria na procura. Ao colocar sua arma sobre a mesa para reforçar o comando, acabou chamando a atenção de membros do PCC que não queriam uma agente da polícia atuando dentro da comunidade. Minutos depois, quatro criminosos encapuzados e armados a sequestraram. Seu corpo só foi encontrado quatro dias depois, abandonado no porta-malas de um carro no bairro Campo Grande, também na Zona Sul, com tiros na cabeça, na virilha e na barriga.

A Promotoria sustentou que Juliane foi assassinada por ordem do traficante Everaldo Severino da Silva Félix, o “Sem Fronteira”, apontado como chefe da facção em Paraisópolis e mandante do homicídio. Ele foi condenado a 25 anos por homicídio qualificado. Felipe Carlos Santos de Macedo, o “Pururuca”, recebeu pena de 23 anos pelos mesmos crimes e por integrar organização criminosa, sendo reconhecido como um dos executores. Já Felipe Oliveira da Silva, o “Tirulipa”, foi sentenciado a 9 anos por envolvimento na execução e por ter fugido com a motocicleta da vítima, usada para entrar na comunidade.

O quarto acusado, Luiz Henrique de Souza Santos, o “Tufão”, também apontado como participante do crime, teve seu processo desmembrado por nunca ter sido localizado. Ele permanece foragido desde 2018 e não chegou a ser citado formalmente.

O júri foi conduzido pela juíza Fernanda Perez Jacomini e teve atuação das promotoras Luciana André Jordão Dias e Ana Cláudia Budai Arins, que destacaram a importância simbólica e o peso histórico da condenação. Ambas celebraram o desfecho como uma reparação à família de Juliane, que aguardava justiça há anos. Advogadas que representaram os familiares atuaram como assistentes de acusação e reforçaram a gravidade do crime, classificando-o como um ataque direto à autoridade pública e à mulher que trabalhava para proteger a sociedade.

A defesa dos réus não foi localizada para comentar o resultado do julgamento. As penas ainda são passíveis de recurso em instâncias superiores, mas por ora os três condenados seguem presos. Para a polícia, o caso marcou uma das investigações mais complexas do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que usou imagens de câmeras de segurança e depoimentos para identificar os envolvidos e concluir o inquérito.