Polícia

Biblioteca Mário de Andrade já sofreu furto histórico de gravuras raras recuperadas 18 anos depois

A atual vulnerabilidade das bibliotecas públicas paulistanas não é novidade. A Biblioteca Mário de Andrade, a principal da capital e uma das maiores do país, já foi alvo de criminosos em 2006, quando um furto silencioso retirou de seu acervo doze gravuras raras do século 19. As peças, datadas de 1834, pertenciam ao conjunto “Souvenirs de Rio de Janeiro”, obra do artista suíço Johann Jacob Steinmann, reconhecido por registrar paisagens brasileiras com delicadeza e precisão entre 1834 e 1835.

 

O crime só foi percebido meses depois, quando um funcionário, ao consultar um livro do alemão Karl Hermann Konrad Burmeister, notou a ausência de algumas imagens. A descoberta levou a uma investigação extensa que se arrastou por quase duas décadas. Segundo a Polícia Federal, as gravuras foram parar nas mãos de um colecionador brasileiro, que as adquiriu legalmente em uma casa de leilões em Londres, sem saber que eram peças furtadas.

 

A recuperação, concluída apenas em 2024, 18 anos após o roubo, expôs não só a fragilidade histórica da segurança do acervo, mas também o percurso discreto e internacional que obras raras podem percorrer quando desaparecem de instituições públicas. O caso reforça a necessidade de políticas permanentes de preservação e monitoramento, diante de um patrimônio cultural que, apesar de sua importância, segue vulnerável