Polícia

Gravuras raras de 1834, furtadas há 18 anos, revelam bastidores de crime que dilapidou acervo histórico

As gravuras datadas de 1834, desaparecidas durante quase duas décadas, voltaram ao Brasil após uma operação minuciosa da Polícia Federal que só foi concluída em 2024. As peças pertenciam ao precioso livro “Souvenirs de Rio de Janeiro”, obra do artista suíço Johann Jacob Steinmann, reconhecido por registrar em aquarelas paisagens brasileiras entre 1834 e 1835. O conjunto original reúne 12 ilustrações produzidas à mão, consideradas documentos históricos de grande valor artístico e cultural.

 

O desaparecimento das imagens ocorreu em 2006, mas só veio à tona em agosto daquele ano, quando um funcionário da biblioteca notou a falta de algumas páginas enquanto manuseava uma obra de Karl Hermann Konrad Burmeister. A constatação levantou imediatamente suspeitas de furto interno, já que as publicações eram guardadas em área restrita. A investigação começou de forma discreta, mas logo se tornou complexa devido à falta de pistas concretas sobre o destino das peças retiradas do volume de Steinmann.

 

Segundo a Polícia Federal, após anos de troca de informações com autoridades internacionais, descobriu-se que as gravuras haviam sido adquiridas por um colecionador brasileiro. Ele as comprou legalmente em uma casa de leilões em Londres, sem saber que se tratava de patrimônio furtado no Brasil. As autoridades britânicas colaboraram para rastrear a procedência das obras, permitindo que os itens fossem identificados e recuperados.

 

A devolução encerrou um capítulo marcado por dificuldades e silêncio, mas reacendeu debates sobre segurança de acervos históricos e sobre o constante risco de perda de peças únicas do patrimônio nacional. As gravuras, agora de volta, devem passar por avaliação técnica antes de serem reintegradas ao acervo público.