Relatos de usuários nas redes sociais e comparações recentes de tarifas mostram que as corridas de aplicativos em São Paulo sofreram um salto expressivo de preço nas últimas semanas, especialmente nas madrugadas e nos deslocamentos entre regiões centrais e polos empresariais da cidade. A percepção geral é de que o preço dinâmico tem sido acionado com frequência muito maior, empurrando passageiros para alternativas mais baratas, como ônibus e Metrô.
Em uma publicação que ganhou repercussão, o usuário Diego Francisco comentou que as empresas “já dominaram o mercado” e agora “cobram o preço que quiserem”, atribuindo o aumento à lógica da “mão invisível do mercado”. O descontentamento se intensificou após o Metrô anunciar que quatro linhas passaram a operar continuamente entre a madrugada de sábado e domingo, oferecendo uma alternativa viável ao custo elevado das plataformas.
A mudança de comportamento já aparece nos relatos dos próprios passageiros. Herbert Soares, morador da capital, contou que costumava pagar cerca de R$ 25 para ir de seu bairro ao Centro, mas, ao verificar o preço na última noite, encontrou uma tarifa de R$ 60 para o mesmo trajeto. “Desisti e fui de ônibus mesmo. Pelo menos o ônibus está sempre com o ar condicionado ligado”, escreveu.
Outro grupo de usuários que costuma pegar corridas no início da manhã, saindo da região da Barra Funda rumo à Avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini, na Zona Sul, também observou aumento expressivo. Às 5h da manhã, a tarifa para o mesmo deslocamento subiu de R$ 64, em 28 de novembro, para R$ 102 nesta segunda-feira (8), segundo registros de passageiros.
Diante da forte reação pública, as plataformas foram procuradas para explicar a alta. A Uber Brasil afirmou que os preços aumentaram devido ao crescimento da demanda no mês de dezembro, período que tradicionalmente concentra mais deslocamentos, eventos e compras. A empresa reiterou que, quando há mais solicitações do que motoristas disponíveis, entra em vigor o preço dinâmico, mecanismo que encarece a corrida para incentivar mais condutores a irem às ruas.
A Uber reforçou ainda que o usuário sempre é informado quando a tarifa está sujeita ao preço dinâmico e que, assim que a oferta de motoristas volta ao equilíbrio, as tarifas retornam ao patamar habitual. Já a 99 Tecnologia foi procurada pela reportagem, mas optou por não se manifestar sobre o assunto até o momento.
A alta generalizada reacende o debate sobre dependência dos aplicativos e a ausência de transparência sobre limites de variação tarifária, enquanto passageiros continuam buscando alternativas viáveis para manter o custo dos deslocamentos sob controle.