São Paulo

Ventania recorde paralisa São Paulo, deixa milhões sem energia e provoca caos urbano

A manhã desta quarta-feira (10) foi marcada por uma ventania histórica que atingiu a capital e a região metropolitana de São Paulo, deixando um rastro de destruição e impactos generalizados em serviços essenciais. Rajadas que chegaram a 98 km/h, registradas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na estação da Lapa, derrubaram árvores, danificaram redes elétricas, comprometeram o transporte e obrigaram autoridades a adotarem medidas emergenciais para garantir a segurança da população.

 

Segundo a Defesa Civil estadual, ao menos quatro pessoas ficaram feridas, todas de maneira leve, após serem atingidas por quedas de árvores e galhos em diferentes pontos da cidade. Os casos ocorreram em Cachoeirinha, Santana, Lapa e no Centro. A força dos ventos derrubou dezenas de árvores e espalhou detritos por vias inteiras, complicando o trânsito já carregado no início da manhã.

 

O impacto mais grave, porém, foi no fornecimento de energia. De acordo com o mapa da concessionária Enel, mais de 2,2 milhões de imóveis ficaram sem luz na Grande São Paulo, sendo quase 1,5 milhão apenas na capital. Bairros populosos como Pinheiros, Sumaré, Mooca e regiões próximas à Berrini ficaram às escuras, com diversos semáforos desligados e serviços comprometidos.

 

Um dos locais mais afetados foi o Hospital São Paulo, na Vila Clementino, que perdeu energia ainda na noite de terça-feira (9). A falta de fornecimento obrigou o reagendamento de consultas e limitou atendimentos, gerando preocupação entre pacientes e funcionários. A Enel afirmou que a rede foi atingida por objetos, galhos e árvores deslocados pelo vento e destacou que a formação de um ciclone extratropical contribuiu para o agravamento da situação.

 

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) declarou que acionará a Aneel e recorrerá à Justiça para exigir providências em relação à atuação da concessionária, reforçando que episódios semelhantes vêm se repetindo desde os apagões de novembro de 2023.

 

Os impactos se estenderam também ao setor aéreo. No Aeroporto Internacional de Guarulhos, 22 chegadas e 15 partidas foram canceladas, além de voos desviados para Curitiba e Rio de Janeiro. Congonhas registrou cancelamentos e alternâncias por conta da forte turbulência e dos ventos laterais.

 

A mobilidade urbana também foi comprometida. A CPTM informou que a Linha 10–Turquesa passou a funcionar com intervalos ampliados após queda de um cabo da rede aérea, impedindo o funcionamento normal da Estação Capuava. Passageiros foram obrigados a fazer baldeações extras enquanto equipes técnicas atuavam na correção da falha.

 

Até o final da manhã, a cidade já contabilizava 57 árvores caídas, enquanto o Corpo de Bombeiros registrou 514 chamados relacionados ao mesmo tipo de ocorrência. A combinação entre solo encharcado pelas chuvas recentes e a intensidade da ventania aumentou o risco de acidentes em toda a região.

 

Diante do cenário crítico, diversos parques foram fechados. Ao todo, 12 unidades estaduais interromperam suas atividades por precaução, além de seis parques municipais administrados pela Urbia, entre eles o Ibirapuera e o Jardim Felicidade. O governo estadual destacou que a medida é essencial para proteger visitantes, funcionários e evitar danos à biodiversidade que já sofre com a instabilidade climática.

 

A ventania também provocou cenas inusitadas: a decoração natalina da Avenida Paulista foi arrancada, fazendo o tradicional Papai Noel ser derrubado pela força do vento, chamando a atenção de moradores e turistas.

 

A previsão é que os ventos diminuam ao longo do dia, mas autoridades reforçam que o alerta permanece devido ao avanço do ciclone extratropical no Sul do país, que ainda pode causar novas rajadas intensas no estado.