São Paulo

Enel admite colapso na rede após ventania histórica e mantém SP sem previsão para volta da energia

A Enel Distribuição São Paulo afirmou nesta quinta-feira (11) que ainda não é possível estabelecer qualquer previsão para o restabelecimento da energia em milhares de imóveis da capital e da Grande São Paulo. A concessionária enfrenta uma crise provocada pela ventania histórica que atingiu a região na quarta-feira (10), com rajadas de até 98 km/h, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

 

De acordo com comunicado enviado ao g1, a extensão dos danos é considerada crítica. A empresa informou que, em diversos trechos, o serviço não consiste apenas em reparos pontuais: será necessário reconstruir completamente estruturas da rede elétrica, com troca de postes, substituição de transformadores e até a recondução de quilômetros de cabos derrubados por árvores e objetos arremessados pela força dos ventos.

 

A concessionária também respondeu às críticas sobre pátios cheios de veículos, registrados em diferentes pontos da cidade. Segundo o diretor regional da Enel, Marcelo Puertas, as imagens refletem apenas a troca de turnos. Ele explicou que equipes trabalham em três escalas distintas, e que muitos carros estavam retornando do plantão da madrugada enquanto outros já se preparavam para iniciar novos atendimentos.

 

O impacto do apagão ainda é expressivo: mais de 1,5 milhão de imóveis permaneciam sem luz pela manhã, sendo cerca de 1 milhão apenas na capital paulista. A falta de energia comprometeu semáforos, abastecimento de água, mobilidade urbana, operações de ônibus e causou atrasos e cancelamentos de voos nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos.

 

Os 24 municípios atendidos pela Enel — entre eles São Paulo, Osasco, Barueri, Santo André, São Bernardo, Cotia e Taboão da Serra — registraram interrupções de energia após o ciclone extratropical que atingiu o estado. A empresa classificou o episódio como um “vendaval histórico” que se prolongou por aproximadamente 12 horas e provocou queda maciça de árvores.

 

A Sabesp também relatou falhas no bombeamento em bairros como Morumbi, Parelheiros e Parque do Carmo, além de cidades da Grande São Paulo, deixando moradores com risco de desabastecimento de água.

 

Durante entrevista ao Bom Dia São Paulo, Puertas disse que a empresa reforçou a força de trabalho após crises anteriores, como a de outubro de 2024. Segundo ele, 1.200 funcionários foram contratados ao longo do último ano e outros 400 estão em processo de contratação. Cerca de 600 equipes, cada uma com até seis profissionais, estavam nas ruas nesta quinta-feira.

 

Entre os consumidores, a instabilidade no aplicativo da Enel gerou ainda mais frustração. Usuários relataram previsões divergentes de horário, alterações constantes e até impossibilidade de acessar ou capturar a tela com informações sobre a previsão de retorno da energia.

 

Ainda assim, Puertas evitou anunciar qualquer prazo oficial. Ele afirmou que os ventos permanecem fortes — com expectativa de rajadas de até 60 km/h — e que a situação ainda exige cautela. De acordo com ele, as equipes devem trabalhar ininterruptamente ao longo do dia e da madrugada.

 

A Enel reforçou que sua prioridade é restabelecer o fornecimento “o quanto antes”, mas destacou que a extensão dos danos torna o processo mais demorado