Política São Paulo

Sem concorrência formal, Ricardo Teixeira garante reeleição e segue no comando da Câmara de São Paulo em 2026

O vereador Ricardo Teixeira (União Brasil) foi reeleito nesta segunda-feira (15) presidente da Câmara Municipal de São Paulo e seguirá no comando do maior Legislativo municipal do país durante o ano de 2026. A recondução ocorreu sem a presença de adversários oficiais e com apoio expressivo da maioria dos parlamentares, consolidando o segundo ano consecutivo de Teixeira à frente da Casa.

Ao todo, 49 dos 55 vereadores votaram favoravelmente à reeleição do presidente. Houve cinco abstenções e apenas uma ausência registrada, a do vereador Celso Giannazi, do PSOL. A sigla, que tradicionalmente lança candidato próprio para a presidência da Câmara, optou neste ano por não apresentar um nome e decidiu se abster da votação, ficando como o único partido que não declarou apoio a Teixeira.

A ampla vitória foi resultado de uma articulação política que envolveu nove partidos e contou com o respaldo direto do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O cenário de consenso se formou após o União Brasil retirar a candidatura do vereador Rubinho Nunes, que chegou a ser cogitado para disputar o comando da Casa, mas acabou abrindo caminho para a recondução de Teixeira sem disputa formal.

Durante o processo, o PSOL justificou a ausência de candidatura própria afirmando que a estratégia adotada por outros partidos, ao fechar apoio em torno de Teixeira, inviabilizou a construção de alianças alternativas. Com isso, o pleito transcorreu praticamente como uma aclamação, refletindo o isolamento de eventuais dissidências.

Além da presidência, os vereadores também elegeram os demais integrantes da Mesa Diretora para 2026. A composição reúne representantes de diferentes partidos e demonstra um equilíbrio entre forças políticas da base governista e do centro da Casa. A nova Mesa terá João Jorge (MDB) como 1º vice-presidente, Isac Félix (PL) como 2º vice, Senival Moura (PT) na 1ª secretaria e Gabriel Abreu (Podemos) como 2º secretário, entre outros cargos.

Em seu discurso após a confirmação da reeleição, Ricardo Teixeira adotou um tom de cautela e responsabilidade. O presidente afirmou estar satisfeito com o reconhecimento dos colegas, mas destacou o peso do cargo e a necessidade de aprimorar a condução dos trabalhos legislativos. Segundo ele, a meta para o próximo ano é ampliar o diálogo interno e aproximar a Câmara da população, inclusive com a realização de sessões em regiões periféricas da cidade.

Teixeira também citou temas sensíveis que devem marcar o próximo ano legislativo, como o debate sobre o serviço de energia elétrica e a possibilidade de abertura de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito relacionada à concessão da Enel. Para o vereador, a Câmara precisa estar mais conectada às demandas concretas da população paulistana.

A reeleição de Teixeira também foi interpretada nos bastidores como uma derrota política do ex-presidente da Câmara Milton Leite, atualmente presidente estadual do União Brasil. Leite defendia um rodízio no comando da Casa e articulou a candidatura de Rubinho Nunes, em uma disputa interna que acabou enfraquecida pela falta de apoio e pela resistência do prefeito Ricardo Nunes.

Mesmo aposentado da atividade parlamentar, Milton Leite buscava manter influência no Legislativo municipal, indicando nomes de sua confiança para posições estratégicas. A recondução de Teixeira, no entanto, sinaliza maior autonomia do atual presidente em relação ao ex-mandatário e reposiciona as forças internas do União Brasil na Câmara.

Engenheiro formado pela FEI, Ricardo Teixeira nasceu em Santos, em 1958, e construiu uma longa carreira no serviço público, com passagens por órgãos como CET, Dersa, DER e EMTU. Vereador reeleito em 2024 para o sexto mandato consecutivo, ele também foi secretário de Trânsito e Mobilidade na gestão anterior de Ricardo Nunes, período em que implantou as faixas azuis para motociclistas, uma das marcas de sua atuação na capital.