A Justiça de São Paulo determinou que o São Paulo Futebol Clube e a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) paguem uma pensão alimentícia mensal provisória de R$ 8 mil a três torcedores atingidos por uma placa metálica que se desprendeu do teto do estádio Morumbis durante uma partida da Copa Libertadores. A decisão foi proferida pela 3ª Vara Cível do Foro do Butantã e também estabelece a inclusão das vítimas em um plano de saúde para garantir o tratamento médico necessário.
O acidente ocorreu em maio, durante o confronto entre São Paulo e Libertad, do Paraguai. Entre os feridos está o caminhoneiro Ivan Bezerra da Silva, que acompanhava o jogo ao lado dos dois filhos. Com o impacto da placa, Ivan sofreu traumatismo cranioencefálico grave e precisou ser internado por 18 dias, sendo 14 deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
De acordo com informações apresentadas no processo, Ivan passou por procedimentos médicos complexos, incluindo craniectomia descompressiva e drenagem de hematoma intracraniano. Conforme relatado pela magistrada Mônica Lobo, os documentos médicos evidenciam a gravidade do quadro clínico, bem como o afastamento das atividades laborais por, no mínimo, 90 dias, além da necessidade de acompanhamento contínuo.
O advogado da família, Eduardo Barbosa, afirma que o caminhoneiro ficou com sequelas neurológicas permanentes, como paralisia facial, descontrole motor, lapsos de memória, episódios frequentes de desequilíbrio e risco de convulsões. Um dos filhos também precisou passar por intervenção cirúrgica, fato reconhecido na decisão judicial.
A sentença determina ainda que o São Paulo FC e a Conmebol arquem com multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento das medidas impostas. Procurado, o clube informou que não comenta processos judiciais, mas afirmou que cumpre todas as decisões da Justiça. A Conmebol não se manifestou até a última atualização do caso.
Antes do acidente, Ivan Bezerra exercia a profissão de caminhoneiro e tinha renda média mensal de R$ 12 mil. Desde o ocorrido, encontra-se totalmente incapacitado para o trabalho, sem qualquer fonte de renda. Sem conseguir manter o financiamento do caminhão, acumulou dívidas expressivas e atualmente depende da ajuda de familiares e amigos para sobreviver.
Segundo a defesa, o episódio não pode ser tratado como um acidente imprevisível, mas como uma falha grave de segurança. O processo judicial segue em andamento e outras indenizações ainda poderão ser analisadas no decorrer da ação.