O padre Júlio Lancelotti, pároco da Igreja de São Miguel Arcanjo, localizada na Mooca, zona Leste de São Paulo, anunciou que deixará de transmitir suas missas pela internet e suspenderá, por tempo indeterminado, suas atividades nas redes sociais. A decisão ocorre em meio a uma sequência de ataques e críticas direcionadas ao religioso, conhecido nacionalmente por sua atuação junto à população em situação de rua e pela defesa dos mais vulneráveis.
Coordenador da Pastoral do Povo de Rua, Lancelotti construiu uma trajetória marcada pelo enfrentamento da aporofobia — termo que define o preconceito e a hostilidade contra pessoas pobres. Justamente por esse posicionamento, o padre tornou-se alvo frequente de críticas e acusações, sobretudo de figuras públicas que discordam de sua atuação social e de suas denúncias contra políticas públicas consideradas excludentes.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, a orientação para a suspensão das transmissões e do uso das redes sociais teria partido do cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer. Paralelamente, passaram a circular rumores sobre uma possível transferência do padre para outra paróquia, informação que foi negada por Lancelotti.
Questionada sobre o caso, a Arquidiocese de São Paulo informou apenas que questões tratadas entre o arcebispo e um sacerdote dizem respeito ao âmbito interno da Igreja e são conduzidas diretamente entre as partes, sem detalhar as motivações da decisão.
Mesmo com a suspensão das transmissões on-line, o padre esclareceu, por meio de nota, que as missas dominicais continuam sendo celebradas normalmente às 10h, na Capela da Universidade São Judas, no bairro da Mooca. Segundo ele, o afastamento das redes sociais corresponde a um período de recolhimento temporário e não representa abandono de suas funções religiosas. O religioso também reafirmou sua permanência na Paróquia São Miguel Arcanjo e sua obediência à Arquidiocese de São Paulo.
Nas plataformas digitais, Júlio Lancelotti soma mais de 2 milhões de seguidores e costumava transmitir as celebrações dominicais pelo YouTube, por meio do canal da Rede TVT. Sua visibilidade ampliou o alcance de suas ações sociais, mas também intensificou os ataques, especialmente de políticos que o acusam de incentivar a permanência de pessoas em situação de rua em determinadas regiões da capital.
Entre os episódios mais recentes, estão críticas públicas feitas por vereadores e autoridades municipais, além de tentativas de abertura de investigações parlamentares contra o trabalho desenvolvido pelo padre e por organizações ligadas ao atendimento de pessoas em extrema vulnerabilidade. Apesar das pressões, Lancelotti segue como uma das principais vozes da Igreja Católica na defesa dos direitos humanos em São Paulo.