Na última sessão legislativa de 2025, a Câmara Municipal de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, aprovou por unanimidade um projeto de lei que concede reajuste de 70% aos salários dos secretários municipais. A votação ocorreu de forma relâmpago na manhã de quinta-feira (18) e durou menos de dois minutos, sem discussão em plenário.
Com a mudança, os vencimentos dos secretários passam de R$ 10.100 para R$ 17.100, acompanhando a mesma data-base dos servidores municipais. Ao todo, a prefeitura conta com 16 secretários, e o aumento representa um impacto estimado de R$ 112 mil por mês e cerca de R$ 1,3 milhão por ano no orçamento do município.
A proposta foi aprovada durante a última sessão do ano, que também analisou o orçamento municipal de 2026. Toda a reunião teve duração aproximada de sete minutos. Para que o reajuste entre em vigor, ainda é necessária a sanção do prefeito Ramon Pires Corsini, do União Brasil.
O projeto é de autoria da Mesa Diretora da Câmara, presidida pelo vereador Cícero Melo, do mesmo partido do prefeito. Também assinam o texto os vereadores Gilberto Moraes Cardoso (PSB), José Martins Filho (PDT) e Valdemir dos Santos Oliveira (PL).
Na justificativa, os parlamentares afirmam que o reajuste não configura privilégio, mas uma adequação administrativa. Segundo eles, a atualização busca alinhar os subsídios à complexidade e à responsabilidade das funções exercidas pelos secretários, além de contribuir para a valorização do serviço público e a atração de profissionais qualificados para a gestão municipal.
De acordo com a Câmara, os salários estavam sem reajuste desde 2018. Em 2024, o prefeito chegou a anunciar um aumento de 48% por meio de decreto, mas voltou atrás após repercussão negativa.
Em nota, a Prefeitura de Itapecerica da Serra afirmou que os subsídios estavam congelados desde 2012 e que, no período, a inflação acumulada pelo IPCA foi de aproximadamente 86%. A gestão municipal argumenta ainda que os secretários não recebem gratificações, adicionais ou reajustes anuais e que os valores líquidos atuais seriam incompatíveis com a responsabilidade dos cargos.
A aprovação do aumento ocorre em meio a debates recorrentes sobre gastos públicos, transparência e prioridades orçamentárias, especialmente em um contexto de restrições fiscais enfrentadas por municípios da região metropolitana.