São Paulo

Piscinão Jaboticabal é inaugurado em SP para conter enchentes, mas opera provisoriamente com geradores por falta de energia

O governo do estado de São Paulo inaugurou nesta terça-feira (23) o piscinão Jaboticabal, apontado como o maior reservatório de contenção de cheias da Região Metropolitana. A obra tem como principal objetivo reduzir os constantes alagamentos que atingem bairros da capital, como Ipiranga e Anchieta, além de municípios do ABC paulista, especialmente durante o período de chuvas intensas do verão.

Projetado para receber as águas do Ribeirão dos Meninos, afluente do Rio Tamanduateí, o reservatório possui capacidade para armazenar até 900 mil metros cúbicos de água. A expectativa do governo estadual é que a estrutura beneficie diretamente cerca de 1,5 milhão de pessoas que vivem em São Paulo, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, áreas historicamente impactadas por enchentes.

As obras tiveram início em dezembro de 2021 e, desde então, o piscinão já era tratado como um marco da engenharia hidráulica na Grande São Paulo. Segundo o governo, durante a execução foram retirados aproximadamente 1,1 milhão de metros cúbicos de material, além da construção de paredes com até 20 metros de profundidade e a instalação de cinco grandes comportas para controle do fluxo de água.

O investimento total na obra chegou a R$ 573 milhões. A cerimônia de inauguração contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito da capital, Ricardo Nunes. Apesar do evento oficial, o local ainda apresentava frentes de trabalho em andamento, com máquinas pesadas, caminhões e equipes atuando em ajustes finais da estrutura.

Um dos pontos que chamou atenção durante a inauguração foi o fato de o sistema de bombeamento não estar ligado à rede elétrica convencional. Segundo o governador, as bombas responsáveis pela drenagem, com capacidade de retirar até 800 litros de água por segundo, estão operando com o auxílio de geradores a diesel devido à ausência de ligação elétrica definitiva.

A situação gerou troca de acusações entre o governo estadual e a concessionária Enel, responsável pela distribuição de energia. Enquanto o governo afirma que a empresa não realizou a conexão necessária, a distribuidora sustenta que ainda há pendências técnicas e adaptações internas sob responsabilidade do próprio Estado.

De acordo com a SP Águas, o custo mensal para manter o gerador em regime de prontidão gira em torno de R$ 49 mil, valor que inclui combustível, manutenção e disponibilidade do equipamento. O órgão reforçou que o uso do gerador é uma medida provisória, adotada para garantir a segurança do sistema hidráulico até que a ligação definitiva seja concluída.

A próxima temporada de chuvas deve servir como o primeiro grande teste da eficácia do piscinão Jaboticabal, que se soma a outras obras de macrodrenagem executadas pelo governo paulista para minimizar os impactos das enchentes na região metropolitana.