Polícia

Escândalos, prisões e redes sociais: o ano em que influenciadores famosos acabaram atrás das grades em SP

O ano de 2025 ficou marcado por uma sucessão de prisões e investigações envolvendo influenciadores digitais em São Paulo. Personagens que acumulavam milhões de seguidores, contratos publicitários e forte presença nas redes sociais passaram a ocupar espaço nas páginas policiais, tornando-se alvo direto da Justiça e das forças de segurança.

Ao longo do ano, pelo menos dez influenciadores conhecidos foram presos ou investigados por uma ampla variedade de crimes. Entre as acusações estão desde falta de pagamento de pensão alimentícia e violência doméstica até crimes mais graves, como racha, posse ilegal de arma, estupro de criança, lavagem de dinheiro, furto, pornografia infantil, desacato e envolvimento com jogos de azar ilegais.

Entre os nomes que ganharam notoriedade policial em 2025 estão Gato Preto, conhecido por rifas milionárias; o influenciador apelidado de “Calvo do Campari”; Meno Kabrinha; Maumau; Capitão Hunter; Buzeira; Gabriel Spalone; Hytalo Santos e Euro; além de Toguro. Todos, em diferentes momentos do ano, se tornaram alvos de operações, prisões ou processos judiciais.

Para a professora Issaf Santos Karhawi, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), que estuda o fenômeno dos influenciadores digitais há mais de uma década, o impacto desses casos é potencializado pela grande visibilidade dessas figuras públicas. Segundo ela, qualquer envolvimento criminal de um influenciador tende a ganhar repercussão muito maior do que ocorrências semelhantes envolvendo cidadãos comuns.

A pesquisadora defende maior fiscalização das redes sociais, especialmente quando plataformas digitais são utilizadas como meio direto para a prática de crimes. Ela destaca que alguns casos estão diretamente ligados à atividade de influenciador, seja pela promoção de esquemas ilegais, seja pelo uso da audiência para obtenção de vantagens financeiras ilícitas.

Issaf também relembra dados de uma pesquisa divulgada em 2022 que apontava a existência de cerca de 500 mil influenciadores digitais no Brasil, número superior ao de profissionais formados em áreas tradicionais como odontologia, engenharia civil e arquitetura. Para ela, mesmo diante das prisões, parte desses influenciadores pode acabar ganhando ainda mais atenção do público, impulsionada pela curiosidade dos seguidores sobre os desdobramentos dos casos.

O levantamento dos principais episódios de 2025 mostra como a fronteira entre fama digital e responsabilidade legal se tornou cada vez mais visível, levantando debates sobre limites, fiscalização e o papel das plataformas na prevenção de crimes cometidos no ambiente virtual.