As tarifas dos ônibus metropolitanos operados pela antiga EMTU na Região Metropolitana de São Paulo terão reajuste médio de 4,24% a partir do dia 6 de janeiro. A autorização foi concedida pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), órgão vinculado ao governo estadual, e publicada no Diário Oficial por meio da Resolução nº 21.
O aumento atinge linhas que conectam a capital paulista a municípios da Grande São Paulo e deve ser sentido imediatamente no bolso dos passageiros, sobretudo nos trajetos mais longos. Na linha 297, que liga São Paulo a Caucaia do Alto, em Cotia, por exemplo, a tarifa sobe de R$ 9,20 para R$ 9,65. Já na linha 422, com destino a Itapevi, o valor passa a ser de R$ 8,90.
De acordo com a resolução, os novos preços variam conforme o tipo de linha e a distância percorrida. As linhas comuns passam a custar entre R$ 4,15 e R$ 12. Nas linhas seletivas, os valores vão de R$ 9 a R$ 30,65, enquanto as linhas especiais, como as que ligam municípios como Osasco e Cotia à capital, terão tarifas entre R$ 7,70 e R$ 8,75.
Apesar da autorização do reajuste, usuários demonstram insatisfação não apenas com o aumento, mas também com a qualidade do serviço prestado. Reclamações frequentes envolvem atrasos, intervalos longos, superlotação e más condições dos veículos. Passageiros ouvidos em diferentes terminais da capital e da Grande São Paulo relataram surpresa com a alta logo no início do ano e afirmaram que o custo não condiz com a experiência diária no transporte.
Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação apontam que a frota metropolitana conta com 3.632 ônibus em operação. Desse total, 1.399 não possuem ar-condicionado e 888 veículos têm mais de dez anos de uso. Apenas 100 ônibus — menos de 3% da frota — utilizam energia limpa, o que reforça as críticas sobre a modernização do sistema.
Especialistas destacam que o reajuste não resolve problemas estruturais antigos. A última licitação do transporte metropolitano foi concluída em 2016 e, desde então, o serviço funciona com contratos emergenciais. Segundo a própria Artesp, uma nova licitação está em elaboração e pretende alterar o modelo de remuneração das empresas, atualmente baseado no número de passageiros transportados.
Enquanto mudanças estruturais não saem do papel, passageiros que dependem diariamente do transporte metropolitano seguem arcando com tarifas elevadas, especialmente em deslocamentos entre cidades como Guarulhos e a capital, onde o valor da passagem já se aproxima de R$ 10. Para muitos usuários, o aumento só seria justificável com melhorias concretas na frota e na frequência dos ônibus.