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Surto de sarampo na Flórida gera preocupação sobre o retorno de doenças erradicadas nos EUA.

Mundo – O que parecia ser uma página virada na história da saúde pública americana voltou a assombrar o “Estado do Sol”. O surto de sarampo na Ave Maria University, no sudoeste da Flórida, já ultrapassa os 60 casos confirmados, transformando-se de um incidente isolado em um símbolo de uma crise sanitária silenciosa: a diminuição da cobertura vacinal entre jovens adultos.

Enquanto as autoridades de saúde do condado de Collier se apressam para rastrear contatos e isolar os estudantes, a situação na Flórida revela uma brecha na proteção imunológica do país. O sarampo, doença oficialmente eliminada nos EUA desde 2000, encontrou em 2026 um ambiente propício para seu avanço: comunidades com esquemas vacinais incompletos e a intensa circulação de pessoas em ambientes fechados, como os campi universitários.

Os dados do surto na universidade corroboram uma premissa fundamental da epidemiologia: o vírus oportunista se aproveita onde a imunidade é mais fraca. A maioria dos diagnosticados na instituição não estava com a proteção completa da vacina tríplice viral (MMR).

“Não se trata apenas de uma decisão individual, mas de uma quebra do pacto coletivo de saúde”, afirmam especialistas locais. O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas — uma única pessoa pode infectar 90% dos não vacinados ao seu redor, e o vírus pode permanecer no ar por horas. Em um ambiente universitário, com dormitórios compartilhados e salas de aula cheias, o potencial de disseminação é alarmante.

A situação na Flórida é um microcosmo do que se observa em todo o país. Com mais de mil casos confirmados em 21 estados no início deste ano, os Estados Unidos correm o risco de perder o status de eliminação da doença.

Para a Flórida, que recebe milhões de turistas a cada ano e tem uma população idosa considerável, o controle do surto é essencial. A infecção, frequentemente subestimada como uma “doença infantil”, pode causar complicações graves como pneumonia e encefalite em adultos não vacinados e imunossuprimidos.

Enquanto a universidade continua com as aulas e intensifica os protocolos de segurança, o debate se intensifica sobre a necessidade de campanhas de conscientização mais efetivas. O surto atual serve como um alerta contundente: vacinas são eficazes, mas apenas se forem administradas. Sem um retorno às altas taxas de imunização, o sarampo pode deixar de ser uma notícia esporádica para se transformar, novamente, em uma ameaça endêmica na Flórida.