Uma quadrilha que produzia armas de fogo com impressoras 3D foi desmantelada em uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, em parceria com o MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) e o MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública de São Paulo). A operação ocorreu na manhã de quinta-feira, 12, em diversas cidades do interior paulista. As armas fabricadas foram denominadas “armas fantasmas” pois não contêm número de série ou registro, complicando a identificação e rastreamento.
Segundo a investigação, os armamentos podiam ser montados utilizando peças de fácil acesso. O modelo mais disseminado pela organização era uma arma semiautomática, criada com componentes impressos em 3D, que se juntavam a partes não regulamentadas.
Detalhes da Organização
O projeto de fabricação foi disponibilizado na internet, acompanhado de um manual técnico e um manifesto ideológico que defendia o porte irrestrito de armas de fogo. Esse conteúdo se espalhou por redes sociais e fóruns, aumentando a adesão ao modelo de fabricação das armas fantasmas.
Além das armas, a quadrilha comercializava carregadores alongados para pistolas de diferentes calibres, fabricados na casa do principal investigado e vendidos em plataformas online.
Liderança e Técnicas de Produção
O líder da quadrilha foi preso durante a ação. Ele é um engenheiro especializado em controle e automação, sendo o responsável pelo desenvolvimento técnico das armas. Utilizando um pseudônimo na internet, ele divulgava testes balísticos e orientações detalhadas sobre montagem e calibração dos armamentos.
As investigações revelam que ele criou um manual extenso, com mais de 100 páginas, que permitia a qualquer pessoa com conhecimentos intermediários em impressão 3D montar as armas em poucas semanas, utilizando equipamentos acessíveis.
Implicações e Apreensões
A operação, que cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em várias cidades de São Paulo, registrou a identificação de pelo menos 79 compradores de peças fabricadas pela quadrilha, distribuídos em 11 estados brasileiros. Entre eles, alguns possuem antecedentes criminais, incluindo delitos relacionados ao tráfico de drogas.
Durante a ação, a Polícia Militar de São Paulo apreendeu oito armas de fogo, protótipos de armamentos, centenas de munições, além de granadas, coletes e impressoras 3D utilizadas na fabricação do armamento.