Laudos periciais da Polícia Civil de São Paulo apontam que a soldado da PMESP (Polícia Militar do Estado de São Paulo) Gisele Alves não teria conseguido acessar o local onde a arma do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, utilizada no crime, estava guardada, devido à sua altura.
Gisele foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, no centro de São Paulo, com um tiro na cabeça. Inicialmente, a morte foi considerada suicídio. No entanto, com os depoimentos de testemunhas que relataram um relacionamento abusivo, as investigações passaram a tratar o caso como suspeito.
O tenente-coronel foi preso na quarta-feira (18) por feminicídio e fraude processual, constituindo fortes indícios de que ele teria matado Gisele e tentado forjar um suicídio.
Perícia e simulação do crime
Na simulação feita pelos peritos, comparando as alturas de Gisele (1,65 metros) e do tenente-coronel (1,81 metros), a investigação concluiu que ela não teria condições de alcançar a parte superior do armário onde a arma estava guardada, a cerca de dois metros de altura.
A única forma para que Gisele pudesse pegar a arma seria utilizando uma cadeira ou banco, que não estavam presentes no ambiente. Essa ausência reforçou a suspeita levantada pela perícia.
Ademais, a equipe de peritos argumenta que a narrativa de um suicídio impulsivo, especialmente em um estado emocional delicado, não se harmoniza com as complexidades que envolvem acessar a arma na parte alta do armário. Os peritos mencionam que tal ato exigiria coordenação e planejamento, elementos que não são comuns em crises de colapso emocional.
Denúncia e prisão preventiva
Conforme o Ministério Público, o tiro foi disparado durante uma discussão, no dia 18 de fevereiro, por volta das 7h28. A acusação afirma que o tenente-coronel segurou Gisele e disparou contra seu crânio, manipulando a cena para simular um suicídio.
A demora de Geraldo em pedir socorro, que ocorreu cerca de meia hora após o disparo, também levantou questionamentos. A Justiça Militar acolheu a denúncia, considerando o tenente-coronel réu pelos crimes de feminicídio e fraude processual, e ele foi preso pela Corregedoria da PM.
Posição da defesa
O escritório de advocacia responsável pela defesa do tenente-coronel declarou que ele não se escondeu após a emissão dos mandados de prisão e que está colaborando com as investigações. Defendem que as informações veiculadas estão sendo descontextualizadas.
Em nota, a defesa reafirma a confiança nas autoridades para a elucidação completa dos fatos e alerta sobre a exposição indevida da vida privada de seu cliente, que pode afetar sua honra e dignidade.
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*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
